O salário dos políticos

Sexta-feira, 5 Julho, 2024

Carlos Pinto

JORNALISTA | DIRECTOR DO "CA"

Uma reconhecida comentadora dos media nacionais (com presença semanal na televisão, rádio e jornais) aludiu esta semana aos valores do ordenado de António Costa quando vier a assumir as funções de presidente do Conselho Europeu, na ordem dos 40 mil euros mensais, considerando-o “obsceno”.
A questão é, naturalmente, ambígua e levanta a discussão sobre os vencimentos dos políticos. Mas parece-nos aqui que os argumentos invocados estão mais próximos do populismo em voga um pouco por todo o mundo e menos do racionalismo que deve envolver esta temática.
Em Portugal, há muito que os salários dos políticos são motivo de “conversa de café”, muitas vezes olhando-se apenas para os valores em si à luz do que é um vencimento médio e nunca tendo em conta a realidade do setor privado e, ainda menos, das responsabilidades que são inerentes ao desempenho destes cargos.
Talvez por nunca se fazer este exercício (e de se optar sempre atrás do “politicamente correto” e do discurso de que os políticos só querem “encher os bolsos”) é que, cada vez mais, são menos os que se disponibilizam para a causa pública, abdicando do conforto da família e de uma vida profissional estável para se dedicar à gestão do que é de todos nós.
Por isso, mais que encarreirar em discursos populistas e demagogos, é preciso rever de uma vez por todas aquilo que os detentores de cargos políticos auferem, aumentando os valores em questão, mas também o grau de exigência. Seguramente que assim os “melhores” não fugirão da administração pública como o diabo foge da cruz.

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