O que se pode fazer[BR]com pouco dinheiro

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

António Revez

Crise galáctica, crise mundial, crise nacional, crise local, crise financeira, crise política, crise empresarial, crise familiar, crise de valores, planos de austeridade, planos de poupança, redução das despesas, etc., etc. A gramática da crise e o seu imaginário são muitas vezes uma espécie de fetiche legitimatório e vitimizador que desculpabiliza a apatia e a falta de coragem política. As câmaras municipais afinam pelo mesmo diapasão e a de Beja não foge ao contágio. Independentemente dos valores exactos da herança endividada, da diminuição das receitas e do saneamento financeiro da autarquia, a verdade é que há diversas medidas e iniciativas de “baixo custo”. De baixo custo absoluto ou de baixo custo relativo, comparativamente com outras acções bem mais onerosas. E a verdade é que daqui a pouco este executivo faz um ano de mandato e as esperanças e expectativas nele depositadas começam a frustrar-se… As propostas que aqui deixo, estão longe de serem vitais, à mesma distância que estão de serem financeiramente inviáveis:
> Criação da figura do provedor do munícipe. Nomeação de uma personalidade independente, de reconhecido prestígio e relevância cívica, dialogante e interveniente, capaz de auscultar os munícipes, canalizar demandas e exercer magistério de influência junto do executivo. Bastava um pequeno gabinete para atendimento presencial e um site interactivo filiado no site da Câmara.
> Renovar radicalmente o site da Câmara de Beja, introduzindo-lhe novas valências e funcionalidades informativas e interactivas.
> Criar um programa de estímulo e promoção da criação artística local, traduzido em apoios à formação técnica, aquisição de material, edição, divulgação, e integração das criações artísticas locais na programação dos equipamentos culturais da cidade.
> Intensificar e criar instrumentos de democracia electrónica e transparência governativa, envolvendo os cidadãos nos processos de tomada de decisão e disponibilizando publicamente toda a informação (valores, critérios, objectivos) relativa a despesas, investimentos, subsídios, receitas, contratação de pessoal, etc.
> Criar um programa de animação da Casa da Cultura (com o apoio de patrocinadores locais, numa sinergia promocional), devolvendo aquele espaço à regularidade de espectáculos mais intimistas e circunscritos: concertos de jazz, música alternativa, dança, recitais de poesia, saraus multimédia e performativos, etc.
> Substituir os responsáveis por alguns espaços culturais municipais. A senhora que ficou a dirigir a Biblioteca Municipal de Beja é um agoniante deserto de ideias e o cargo não se compadece com a exuberante reverência politicamente correcta. E agravou-se o declínio que maculou a Biblioteca nos últimos anos. À frente dos destinos do Pax Julia continua um equívoco, absurdamente ratificado ano após ano. O actual director é inapto para dirigir e programar estrategicamente um equipamento cultural daquela importância e vai-se incrustando na dolente dormência dos responsáveis políticos. Assim, nada muda de substancial, mesmo que se inventem umas designações enfáticas para arrumar a programação “mais do mesmo”. E quem programa a Galeria dos Escudeiros e Casa das Artes Jorge Vieira é incapaz de inverter a invisibilidade daqueles espaços e de imprimir-lhes a dinâmica e a novidade necessárias para projectá-los no contexto local e regional.

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