O que está em jogo

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Madeira

dirigente do PCP

1. O 5 de Junho, quando se realizam as eleições para a Assembleia da República, é um dia importante para o futuro do país. Nesse domingo, os eleitores – os que forem às urnas, esperando-se que sejam em elevada percentagem – vão escolher os 230 deputados que constituem o Parlamento, desse modo podendo influenciar a escolha das políticas e dos políticos que vão governar Portugal.
Porque a propaganda mistificadora em sentido contrário é fortíssima, não é de mais insistir que nas eleições legislativas do início do próximo mês não se vai escolher um primeiro-ministro. Vão ser, isso sim, eleitos deputados à Assembleia da República e, em função da correlação de forças determinada pelo veredicto das urnas, será encontrada uma solução governativa.

2. No círculo de Beja, os eleitores vão eleger três deputados, correspondentes à população do distrito, aliás em contínuo decréscimo.
Vale a pena os cidadãos, antes de escolherem como votar, reflectirem quem têm sido os deputados que defendem os interesses e as aspirações das populações, sendo no Parlamento a voz democrática da região; e aqueles que, apesar das muitas promessas em vésperas de eleições, apesar da demagogia e da permanente presença nos media regionais e locais, dizem uma coisa em Beja e fazem outra em Lisboa.

3. Para além do “ruído” destes dias – com os analistas e comentadores do costume a tentarem convencer os mais desatentos a escolher entre o lume e a frigideira – o que está em jogo nas eleições de 5 de Junho é muito claro.
– De um lado, a continuação das desgraçadas políticas impostas pela “troika” PS, PSD e CDS-PP, agora agravadas pela “troika” FMI, Banco Central Europeu e União Europeia, que conduziram Portugal à beira do abismo.
– Do outro lado estão as forças políticas, como o PCP e Os Verdes, que condenam a “inevitabilidade” da governação neoliberal imposta por Berlim e Bruxelas. Que rejeitam a “austeridade” para milhões de trabalhadores e o enriquecimento de uma minoria ligada ao grande capital. Que propõem a valorização do trabalho e dos trabalhadores, o reforço da produção nacional, políticas salariais e fiscais mais justas. Que defendem o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e a protecção social universal, um sector empresarial público forte. Que exigem a renegociação da dívida de Portugal e lutam pela soberania nacional. Que, no distrito de Beja, defendem o desenvolvimento regional com base na agricultura, na agro-indústria, nos recursos mineiros, nas energias renováveis, no turismo, no aproveitamento de investimentos como o empreendimento de Alqueva e o aeroporto de Beja, na construção e manutenção de ligações rodoviárias e ferroviárias modernas.

É “só” isso que está em jogo nas eleições de 5 de Junho para a Assembleia da República:
– de um lado, uma governança de continuidade, a dois ou a três, com as já bem conhecidas políticas de exploração e injustiças;
– e, do outro lado, uma alternativa patriótica e de esquerda, com a CDU e outras forças democráticas, com os trabalhadores e a maioria do povo.

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