O medo da fuga…

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Margarida Janeiro

jornalista

António Vilar (chamemos-lhe assim para dar humanidade à “peça”) tem 36 anos, é natural de Vila Real, a Norte, foi ontem presente a juiz.
Eu, Margarida Janeiro, tenho 35 anos e sou natural de Beja, vivendo actualmente em Faro.
António Vilar foi, cuja profissão é ser burlão, foi apanhado ontem pela PJ no âmbito da operação Tax Free.
Eu, Margarida Janeiro, escolhi ser jornalista e não tendo sido ontem, mas quase, fui apanhada na curva ascendente do desemprego.
António Vilar ganhava a vida a angariar pessoas como eu, desempregadas, mas também prostitutas, indigentes e outros com falta de dinheiro para supostamente os contratar, levá-los a declararem IRS e a receberem a sua devolução, dada a alegada retenção na fonte dos alegados ordenados que alegadamente recebiam.
Margarida Janeiro alega não receber nada de ninguém. Começou o curso com 18 anos e a trabalhar aos 22 maioritariamente a recibos verdes. No ano transacto trabalhou a contrato, mas o Centro de Emprego não lhe dá o subsídio por não ter completado os 450 dias nessa condição.
António Vilar está sujeito a apresentações periódicas num posto policial estando impedido de abandonar a zona da sua residência.
Eu também!
Sou obrigada pelo Centro de Emprego a apresentar-me quinzenalmente na Junta de Freguesia da minha área de residência. E pelos vistos estou também em prisão preventiva já que se não comparecer “à chamada” tenho falta e sou ameaçada de suspensão do subsídio que não me dão!
António Vilar burlou o Estado em cerca de dois milhões de euros.
O Estado burla-me a mim em cerca de novecentos euros por mês!
Não interfiro nas medidas de coação administradas a José Vilar, mas não me obriguem a ir de quinze em quinze dias à Junta de Freguesia. Não sei o que vou lá fazer! Trago sempre um papel assinado e carimbado onde apenas consta a data da próxima apresentação.
José Vilar pode fugir à justiça! E eu? Fujo de quem ou do quê? Daqui eu só posso mesmo abalar para procurar emprego.
Quem legislou nestes termos? Quem inventou esta medida? Com que intenção? Quais as mais-valias desta opção? O que perde e o que ganha o Estado com isto? E os desempregados? Aqueles que querem trabalhar?
Tenham vergonha!

<i>Primeiro texto de uma trilogia.
Continua no próximo número.</i>

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