O esquecimento e a cegueira política

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

Começo por onde queria terminar esta crónica, mas para o efeito tanto faz, dado que o princípio pode e deve ser o começo da explicação que se impõe.
Diz o velho ditado popular que “o pior cego é aquele que não quer ver”. É o que acontece várias vezes e que se repete agora com João Espinho, numa crónica publicada há semanas no “CA”.
Diz João Espinho que Beja, e sobretudo a Câmara Municipal de Beja, não têm um Plano Estratégico de Desenvolvimento, o que condiciona o desenvolvimento da cidade, do seu concelho e, consequentemente, dos seus cidadãos.
Esquece-se, faz por esquecer ou omite deliberadamente, que Beja foi das cidades portuguesas que há muito fez (neste caso mandou fazer), através do gabinete especializado e por direcção da sua Câmara Municipal, executivo de maioria CDU, liderado por Carreira Marques, um Plano Estratégico de Desenvolvimento e onde se identificou a necessidade de avançar com um aeroporto no espaço junto à Base Aérea 11, servindo-se da infra-estrutura da pista já construída, para fins civis.
Não, não foi nenhuma das entidades que referia nessa sua crónica quem primeiro definiu a estratégia do desenvolvimento e quem sempre lutou por ele, em Beja, na cidade, no concelho e na região. A força política que o fez e faz tem nome e chama-se Coligação Democrática Unitária (CDU). E o partido maioritário dessa coligação é o Partido Comunista Porquês.
Está mais uma vez enganado João Espinho quando afirma que, pela primeira vez, num programa político de candidatura à Câmara Municipal de Beja, o de João Paulo Ramôa, existiu uma clara referência ao Plano Estratégico de Desenvolvimento.
Se afirma isso é porque não leu, não quis ler ou simplesmente omitiu os programas claros e objectivos da CDU à Câmara de Beja, onde claramente estão indicados esses objectivos, mas não só indicados, como também claramente defendidos ao longo dos mandatos, quer na Câmara, quer na Assembleia Municipal, quer na Assembleia da República, onde tantas vezes defendemos o desenvolvimento da região e também do concelho, o que como sabe, quase nunca aconteceu, por parte de outros deputados e de outros partidos, que ao sabor do momento foram deixando de aprovar, mais concretamente votando contra, em propostas de Orçamento de Estado para a região.
Sabe que em relação àquele a quem deu os parabéns, por segundo diz, ter copiado o programa, ou parte dele, do de João Paulo Ramôa, e refiro-me a Jorge Pulido Valente, esse senhor nunca defendeu o aeroporto de Beja ou o concelho de Beja, ou sequer a cidade de Beja. Deve recordar-se de artigos assinados por Jorge Pulido Valente e nunca desmentidos, que ele não acreditava no aeroporto de Beja, que dizia tratar-se apenas de uma miragem e uma estratégia eleitoral e político-partidária do Partido Comunista Português.
Está recordado? Talvez nem sequer se tenha esquecido, mas a sua estratégia era dizer mal do PCP e do executivo de maioria CDU da Câmara Municipal de Beja, liderado por Francisco Santos. Por isso, não teve pejo em escamotear essas verdades, que tanto o incomodam. Mas faça um esforço de memória e veja que desenvolvimento é coisa que não tem faltado na cidade.
Nem tudo está feito, dirá. Claro que não! Nem nós tínhamos, nem temos a pretensão de ter tudo feito, mas para quem em 25 de Abril de 74 recebeu uma cidade e um concelho manifestamente atrasados, é obra (e bastante) aquela que se tem feito.
Desde um Plano de Salvaguarda, a um Plano Director Municipal (de primeira geração), passando por um Plano Estratégico de Desenvolvimento até à revisão do PDM, que está quase pronta, muito se tem feito nesta cidade e neste concelho.
Só mais duas notas. A primeira histórica e por isso a referência: na década de 70 (na cidade de Beja), o seu perímetro urbano teria no máximo 200 hectares, hoje tem mais de mil e duzentos. A segunda nota, também histórica, é que o saneamento básico na década de 70 existia apenas na cidade e numa freguesia rural, hoje tudo está coberto, também com estações de tratamento de águas residuais (ETAR), já para não falar da estação de tratamento de lixos da Amalga. Estes são indicadores inequívocos do desenvolvimento. E já agora, para finalizar, o tal aeroporto de Beja, embora com algumas indefinições, contra as quais tanto lutamos, vai estar pronto dentro de alguns meses.
Será que este também não conta para o desenvolvimento da cidade, do concelho e do país?
Daí que o esquecimento de uns é a cegueira política de outros! Entenda-se que em altura de eleições nem tudo vale. Sabemos que uns, que nunca defenderam nem a cidade nem o concelho, nem a população, vêm agora dizer que são os maiores. Outros omitem deliberadamente o que se fez, e bem, só por estratégia eleitoral.
Os eleitores sabem interpretar esses gestos e essas atitudes oportunistas, e no momento certo, ou seja no dia das eleições, dão-lhe a resposta necessária, votando naqueles que sempre os defenderam e continuarão a defender.

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