O Codex 632

Sexta-feira, 20 Janeiro, 2023

Napoleão Mira

Escritor

Apraz-me esta ideia – ainda que hipotética – de ter como conterrâneo o segundo nome mais popular de sempre a seguir a Jesus Cristo: Cristóvão Colombo.
Isto a propósito do best seller que já li há tempos, de seu nome O Codex 632, cujo autor é José Rodrigues dos Santos, escritor, e conhecido jornalista da RTP, que já havia experimentado, e com sucesso, o romance baseado em factos históricos sobre a campanha dos portugueses por terras de França aquando da primeira guerra mundial e em especial na batalha de La Lys e que tem por nome A Filha do Capitão, de entre outros títulos editados ao longo da sua brilhante carreira na escrita.
Este Codex 632 é, também ele, um romance baseado numa pesquisa de mais de 20 anos do historiador português Augusto Mascarenhas Barreto, que editou em 1988 o livro Cristóvão Colombo – Um Espião Português Ao Serviço D’el Rei D. João II, onde, entre outras coisas, põe em causa a origem genovesa de Cristóvão Colombo. Baseado na sua longa pesquisa, Mascarenhas Barreto levanta dúvidas e questões que empurram a naturalidade de Cristóvão Colombo para Portugal e mais propriamente para o Baixo Alentejo.
José Rodrigues dos Santos burila esta pesquisa em forma de romance, onde o protagonista Tomás Noronha, professor de História da Universidade Nova de Lisboa, perito em criptanálise e línguas antigas, foi contratado para descodificar uma estranha cifra. No entanto, o mistério que ela encerrava revelou estar para além da sua imaginação, lançando-o inesperadamente na pista do mais bem guardado segredo dos Descobrimentos: a verdadeira identidade e missão de Cristóvão Colombo, catapultando o leitor para uma leitura quase obsessiva.
Quando o autor desvenda o resultado do raio-x efectuado ao agora famoso Codex 632 descobre-se que afinal Cristóvão Colombo terá nascido em Cuba no Alentejo.
Tendo Colombo sido o descobridor da ilha de Fidel Castro, e de tantas outras com nomes de terras alentejanas, ficamos com a sensação que esta e outras coincidências com que o autor nos brinda nos deixam a matutar sobre tão pressuposto grosseiro erro histórico. É claro que o autor só pretendeu escrever um belo romance, mas ao mesmo tempo reacende a eterna discussão acerca da origem de tão famosa figura histórica, trazendo para a ribalta os estudos e pesquisas a que Mascarenhas Barreto dedicou parte da sua vida.
Quanto a mim, delicia-me render-me a estes argumentos – Colombo – Colom, Colonna ou mesmo Salvador Fernandes Zarco que, afinal, parece ser o seu verdadeiro nome, seria alentejano. Assim sendo, agrada-me de sobremaneira ser compatriota de tão eloquente figura.
No entretanto também fico curioso e até ansioso por ver o resultado da transposição do romance para a série televisiva que irá estrear em breve na RTP.

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