Namorados procuram-se

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Sandra Serra

“Preciso de encontrar um casal de namorados, marido e mulher ou em plena união de facto que, após um namoro ou relação de adolescência, se tenham afastado por algum motivo para se reencontrarem anos mais tarde”. O pedido chegou-me por e-mail vindo de uma amiga jornalista a precisar de informação urgente para fazer uma reportagem, creio, embora me pareça mais que certo, para “marcar” o Dia dos Namorados. Empenhada no pedido de ajuda, fiz um esforço para me lembrar de tantos casais e respectivas histórias de amor quanto possível. “Lamento Rita não te posso ajudar”, comecei a escrever quando, num ápice, me lembrei dos primeiros dois nomes. Primeiros, sim, porque depois destes lembrei-me de mais, e sorri sozinha. Sorri recordando-me dos namoros de adolescente, tão intensos quanto fugazes, tão marcantes quanto banais. Dos encontros e dos desencontros. Das memórias guardadas numa caixa com laço, à espera que alguém o desate.
Quando somos adolescentes coisas como o Dia dos Namorados têm importância. Postais com ursos e corações fazem palpitar o coração de qualquer rapariga apaixonada. Acreditamos piamente que cada amor é o tal, vivemo-lo com uma intensidade tal que depressa lhe descarregamos a bateria. E depois sofremos muito, mas não durante muito tempo, que tempo é coisa que não queremos perder. Seguimos desbravando caminho com esperança que, chegando o Dia dos Namorados, um outro alguém nos ofereça um postal com ursos e corações e, no entretanto, vamos crescendo e com o crescimento, chega também a exigência nas demonstrações de amor – um jantar à luz de velas numa cabana na serra, lareira e um bom vinho para beber a dois, uma declaração apaixonada numa praia deserta.
No caminho que vai dos postais com ursos e corações ao jantar à luz de velas duas pessoas desencontraram-se. O que fez com voltassem a apaixonar-se em determinado período da sua vida? O coração define o tempo ou o tempo impele o coração? O tempo é na busca do amor um conceito importante. Quando temos 16 não temos tempo a perder; quando vamos crescendo se não perdermos algum tempo talvez nada aconteça. A busca do amor é porventura a mais simples e, no entanto, a mais complexa da nossa vida.
A minha amiga, entretanto, não necessitou dos meus conhecimentos de amores adolescentes que se perderam no tempo para se voltarem a encontrar mais tarde. Já tinha encontrado mais histórias assim. E eu continuo a lembrar-me de histórias de amores desencontrados no tempo.
E porque amanhã é Dia dos Namorados, talvez este dia possa envolver mais do que um jantar na marisqueira lá do sítio ou um perfume embrulhado à pressa. Por que não oferecer algum tempo ao amor?
“Perante a crise talvez este assunto não seja o mais premente”, ouve-se. Pois não, digo, mas não será o crucial?

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