Na extrema!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Ricardo Cardoso

técnico oficial de contas e dirigente do PS

O concelho de Odemira está geograficamente localizado no exacto sítio que todos saberão. Na ponta sudoeste do Baixo Alentejo e, por consequência, de todo o enorme Alentejo!
Junto ao mar, com 50 quilómetros de costa, a única que o Baixo Alentejo tem. É o maior de todos os concelhos do país em termos de área e o quarto maior do Alentejo em termos de população (depois de Évora, Beja e Santiago do Cacém).
A sua “grandeza regional” não tem, no entanto, sido suficiente para um olhar mais atento sobre esta realidade.
Com toda a certeza, uma larga maioria da população do concelho de Odemira estará satisfeita por verificar que existe uma aposta clara no desenvolvimento do Alentejo, com particular incidência no Baixo Alentejo e Alentejo Litoral. Mesmo os menos optimistas têm que concordar que estamos perante o maior investimento alguma vez feito nesta nossa região.
Refiro-me, nomeadamente, ao aeroporto de Beja, ao Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, ao crescimento do porto de Sines, à expansão da Zona Industrial de Sines, à retoma da laboração nas Pirites de Aljustrel, aos investimentos turísticos em Grândola e Alcácer do Sal, no IP8 e no IC33 a rasgar as planícies e a aproximar infra-estruturas e localidades, etc…
É óbvia, pelo menos para mim, a justiça desses investimentos e a necessidade dessas infra-estruturas, embora constate que para os odemirenses, se nada entretanto surgir, tudo vai continuar tal e qual como está.
Odemira nunca poderá mudar de lugar, mas terá de permanecer definitivamente a mais de uma hora de qualquer cidade (Beja, Santiago do Cacém, Sines, Lagos…)?
Será que não temos direito a desenvolver uma das principais vantagens competitivas que Odemira tem, o turismo, suportado na oportunidade que representa o novo aeroporto internacional de Beja? Mas (…), será essa possibilidade efectiva com o aeroporto a mais de… uma hora?
Saberão aqueles que me lêem que existem já hoje no nosso concelho dezenas de explorações horto-frutícolas que empregam mais de um milhar de trabalhadores, com cerca de 80% da sua produção exportada, nomeadamente, para o norte da Europa? Mas…, será que a excelência climática desta zona vai superar a sua grande desvantagem, nomeadamente para a vizinha Espanha, que são os elevados custos logísticos, devido às insuficientes e deficientes vias de comunicação?
E que dizer daqueles que visitam hoje Odemira vindos de sul, ao depararem-se com uma infra-estrutura completamente ultrapassada e desadequada? Falo da velha ponte sobre o rio Mira, que apesar de ser uma referência arquitectónica carregada de simbolismo para as nossas gentes, terá de a curto prazo ter uma alternativa. Será que os quase trinta mil habitantes do nosso concelho e todos aqueles que nos visitam vão ter de continuar a esperar por muitos mais anos pelo revezamento desta aprazível mas obstrutiva relíquia do nosso património?
Para o fim fica aquela que é a minha maior preocupação. O que os portugueses não sabiam, mas ficaram a saber há meses, relativamente ao défice da emergência médica em Odemira já os odemirenses vinham alertando, pelos vistos em surdina, há décadas. Sim, há décadas!
Lembro que a sede de concelho, Odemira fica a mais de uma hora dos hospitais de Beja e do Litoral Alentejano em Santiago do Cacém. Lembro ainda que algumas das povoações limítrofes do concelho ficam a quase uma hora da sua sede, pelo que levam (com o INEM a partir de Odemira) mais de três horas a chegar a qualquer um dos hospitais. É este o nosso drama!
Mas a verdade é que um só investimento público resolveria, minimizava ou alargava soluções para todos estes problemas! Uma via de comunicação rápida que ligue o Algarve a Sines, com passagem por Odemira, e a respectiva nova ligação desta a Ourique. Falo do, para nós, tão ambicionado IC4 com ligação ao IC2!
Este aproximava-nos dos “recursos”: aeroporto de Beja, aeroporto de Faro, porto de Sines, Hospital do Litoral Alentejano e Centro Hospitalar do Baixo Alentejo.
Ou seja, estimularia a visita de mais turistas, melhorava a fluidez de trânsito, facilitava o escoamento de produtos e, principalmente, projectava-nos decisivamente para melhores condições de saúde. Numa frase: “Odemira no Mapa!”
Sei que este importante investimento só terá grandes impactos positivos no nosso concelho! Tal como constato que os grandes investimentos neste momento em marcha um pouco por todo o Alentejo terão repercussões marginais na nossa realidade.
Mas sendo a solidariedade uma virtude, chegou a vez de os baixo-alentejanos serem solidários com Odemira para que, de uma vez por todas, elejamos esta causa (IC4) como a próxima grande prioridade regional.
P’lo bem do Alentejo…

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