Mudanças pessoais e estruturais

Quinta-feira, 19 Fevereiro, 2015

D. António Vitalino Dantas

Bispo de Beja

As mudanças são de ordem pessoal e estrutural. Quem recebeu a vocação para o serviço ao povo de Deus nunca pode esquecer essa atitude fundamental de relação com aqueles que deve servir: humilde e fraterna, procurando centrá-los naqu’Ele que enviou, pois só Ele é Mestre e Senhor. Mas isto não se consegue, se o enviado não cultivar em relação a Ele também uma atitude filial contínua e fiel, de escuta e diálogo, como quem procura saber a vontade de quem o envia e as necessidades daqueles a quem é enviado.
Além da atitude fraterna e filial, o servidor deve assumir também a missão paterna, ajudando a nascer e a crescer os filhos de Deus até à maturidade das relações fundamentais e características do povo de Deus. Isto implica uma conversão contínua dos pastores pela oração, abertura aos dons de Deus, formação, actualização, e, muito especialmente, pela caridade pastoral, como se exprime um documento do concílio.
A partir daqui surge a necessidade de adequar os meios e instrumentos comunitários da missão dos pastores em relação às pessoas, comunidades e povos de cada tempo. A caridade pastoral é criativa e descobre os melhores meios para melhor servir. É na relação fraterna entre os pastores e o povo de Deus que se descobrem esses meios mais adequados, para atingir a finalidade da vida e mensagem de Jesus Cristo, que tem de ser também a da Igreja e dos pastores.
À luz deste princípio muitas rotinas e estruturas pastorais se revelam obsoletas e precisam de ser mudadas. Mas isto não pode fazer cada um por si. É preciso deixar-nos envolver, numa comunhão profunda, que nos faz participar na vida e no bem do todo, que é o Povo de Deus de cada tempo, região e cultura.
Para descobrir as melhores estruturas de comunhão e participação convocámos um Sínodo, que pretende envolver a todos na descoberta da vontade de Deus e das necessidades deste povo no Alentejo. Direi mesmo que a estrutura sinodal da Igreja é a mais adequada e perfeita de todas, em ordem a atingir aquele ideal de vida cristã, relatado no livro dos Actos dos Apóstolos: todos os que abraçaram a fé eram assíduos e perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações (2, 42)…, de modo que entre eles ninguém passava necessidade (4, 34).
Nesta súmula temos um programa de vida pessoal e comunitário, que, posto em prática, dará hoje novo vigor à pastoral da Igreja.

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