Minorias

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Teresa Chaves

presidente da Cáritas de Teja

Lembro-me há uns anos atrás de uma polémica num país da Europa Central sobre a questão de famílias autóctones não quererem imigrantes, incluindo portugueses, nas turmas escolares dos seus filhos. O argumento era de que o nível cultural e o domínio do idioma era inferior e desse modo os seus filhos seriam prejudicados no nível de ensino que poderia ser ministrado.
Esta questão veio-me à memória quando se apresentou a questão da colocação dos alunos que têm frequentado as aulas no RIB. Seria interessante que as famílias que estão a colocar obstáculos a uma equilibrada distribuição dos alunos pelas diversas escolas se imaginassem no lugar dos imigrantes de que falei atrás. Como seria sentir-se discriminado? Que tipo de reacção iríamos ter se nos considerassem inferiores, se na escola os outros meninos não quisessem brincar com os nossos filhos só pelo facto de pertencermos a uma minoria? Será que não nos sentiríamos revoltados? Que tipos de “defesas” iríamos criar?
Por outro lado, será que a aprendizagem que realmente importa se limita somente à cognitiva? E a aprendizagem à adaptação a novas situações, a outras culturas, que somente se consegue convivendo efectivamente com outras culturas, não será igualmente importante? E o consequente desenvolvimento da inteligência emocional?
Se limitarmos o nossos raciocínio ao nosso interesse individual, ao contrário dos argumentos dessas famílias, a verdade é que ao estarmos a criar guetos, quer seja de minorias quer seja de maiorias, estamos a limitar essas crianças e jovens de terem contacto com outras culturas que lhes dará “mundo” e que será extremamente importante na idade adulta. Vivemos num mundo global, multicultural em que a mobilidade humana se tornou cada vez mais a norma e devemos preparar os nossos jovens para terem a capacidade de se sentirem em casa em qualquer parte do mundo. A capacidade de adaptação a novas situações e a diferentes mentalidades é e será uma competência fundamental.
Por outro lado, cada um de nós deve sentir-se responsável por todos e contribuir para um mundo mais justo e igualitário. Ou seja, cabe a cada um de nós dar o primeiro passo para o acolhimento daquele que é marginalizado. Podemos estar certos que esse nosso primeiro passo vai fazer toda a diferença. Ele engloba querermos conhecer a sua cultura, numa atitude humilde, apreciando e valorizando a sua riqueza mesmo que não a queiramos adoptar por termos outra forma de estar. Quando acolhemos o outro como igual em dignidade, sem paternalismos, estamos a semear a paz. E será também a paz que iremos colher.

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