Julho a sul do Tejo

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Sandra Serra

A poucos dias da entrada na <i>silly season</i>, do “meu querido mês de Agosto”, dos bailaricos com as Kátias e sua banda (em CD afinado), da queima do sovaco em Monte Gordo, passemos revista a algumas das actividades culturais que aconteceram durante o mês de Julho a sul do Tejo, para depois podermos descansar da cultura durante um mês e acolhermos convenientemente os nossos irmãos emigrantes em regresso estival às suas aldeias.
A sul do Tejo (essa faixa do território português que se estende pelo deserto desde Almada até Odemira, pelo Litoral, entrando depois no oásis allgarvio), o mês de Julho é profícuo em actividades culturais (ou serão as actividades convenientemente apelidadas de culturais? <i>Wherever</i>!). Em Almada, o 24.º Festival Internacional de Teatro com o nome da cidade decorreu de 4 a 18, levando a vários locais da cidade do Cristo Rei, e alargando-se até à outra margem, 23 espectáculos de teatro, 11 dos quais de companhias estrangeiras, seminários, exposições, <i>workshops</i>. A 24.ª edição do festival, que este ano homenageou Carmen Dolores, teve ainda o mérito de proporcionar a primeira edição em papel da “OBSCENA” (www.revistaobscena.com) ao quinto número da revista de artes perfomativas.
Em Sines, o “festival como não há outro” iluminou Sines e Porto Covo entre os dias 20 e 28. Na sua 9.ª edição, o Festival de Músicas do Mundo (FMM) apresentou 33 concertos de artistas dos cinco continentes. A meio do deserto banhado pelo mar, a Câmara Municipal de Sines está de parabéns pelo evento que, ano após ano, tem vindo a angariar mais apoios e mais visitantes.
Em Serpa, <i>rigth in the middle of the desert</i>, o mês de Julho recebeu a 8.ª edição do Festival Noites na Nora, entre 6 e 28. Sem comparação com a estrutura logística e orçamental do Festival de Teatro Internacional de Almada ou do FMM, as Noites na Nora trouxeram a Serpa (é daqui que escrevo, por isso o verbo) 18 espectáculos entre o teatro, a música, a dança e as artes performativas, uma residência artística e dois <i>workshops </i>de dança.
Já no sul, no oásis que é Tavira (e é que é mesmo) a terceira edição do Cenas na Rua – Festival de Teatro e Artes de Rua de Tavira, decorreu de 1 a 15 de Julho, com várias estreias nacionais, levando até à Praça da República, Convento do Carmo e Largo da Galeria, 20 mil espectadores este ano.
Julho foi assim (e mais) a sul do Tejo, um mês repleto de actividades culturais e, inclusivamente, de preparação para incremento das mesmas, com a apresentação de uma proposta, por parte da Ambaal, para criação de uma Rede Cultural como forma de divulgação das Artes e Actividades Culturais do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, interna e externamente.
A sul do Tejo, onde o dinamismo é tido como <i>smooth</i>, as actividades culturais parecem ser aquelas que conseguem de alguma forma ir remando contra a maré da inoperância e da lentidão com que “o” Desenvolvimento teima a chegar.
“Meu querido mês de Agosto”, façamos um pause nas actividades culturais que se isto continua a este ritmo corremos o risco de nos balizarem como “deserto demarcado das actividades culturais”. Vamos agora queimar o sovaco para Monte Gordo. <i>Aufiderzin </i>cultura. <i>Hello </i>ondas do mar, que aqui no deserto “tá” um calor que não se pode.

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