Gaspacho

Quinta-feira, 6 Agosto, 2020

Napoleão Mira

empresário

Agora que o Covid domina as nossas vidas, cerceia as nossas liberdades, determina as nossas escolhas e enegrece os nossos futuros, quero-vos falar de um tema bastante mais ligeiro e, sobretudo, mais apetitoso.
Hoje, venho falar-vos de… gaspacho!
Com a chegada do verão, desperta-se-me a vontade de desfrutar desta refrescante iguaria que, com os produtos principais criados na minha horta, até parece este ano saber ainda melhor.
Sinto um especial prazer em ir ao quintal e colher das respetivas plantas tomates, pepinos e pimentos com que confeciono o fresco pitéu.
O gaspacho não é para mim um amor recente. É sim uma relação de toda a vida, tanto que na minha memória gustativa sobressai este prato estival que, mais uma vez, é uma invenção dos pobres desta terra.
Na minha terra sempre lhe chamámos Vinagrada. Quando cheguei ao Algarve já lhe chamavam Arjamolho (soube depois que provinha da conjunção de duas palavras e um artigo: ares a molho, para que conste!).
Na Espanha vizinha, de onde suspeito que o nome Gaspacho seja original, também lhe chamam Salmorejo, ou ainda, Ajoblanco.
Quando o não confecciono em casa, como-o há do “Pescador”, restaurante popular localizado nos Salicos, em Lagoa, no Algarve, e onde se comem, a meu ver, as melhores sardinhas do mundo, claro, se acompanhados da respetiva malga de gaspacho.
Outro sítio onde o como e me regalo, sempre com os inevitáveis carapauzinhos fritos, é na “Casa do Alentejo”, em Castro Verde. Aqui a coisa já ganha contornos de experiência sensorial. Os produtos da estação criados em hortas da família ou das redondezas, mais o presunto, emprestam-lhe um textura gustativa que só o enriquece e o alguidarinho de barro onde é servido em quantidades generosas remete-me para a casa da minha avó, que mo dava a comer em igual recipiente.
– Coma já o meu filho que eu sei que você come muitíssimo bem! – Dizia ela de cada vez que me presenteava com o pitéu da minha predileção estival.
Mas onde o comi pela primeira vez e onde regressei propositadamente vindo do Algarve para tal foi no “Campo do Caroço”, em Albernoa.
Eu, que me julgava um especialista em matéria “gaspachal”, fui surpreendido pelo seu proprietário, o Celso Pereira (para os amigos o Sassá!), que elevou para um patamar estratosférico esta experiência.
Tive de lhe arrancar o segredo da coisa, sendo para isso chamada à mesa a chef, não só para receber os parabéns, mas também para lhe extrair o enigma daquela alquimia que acabava de degustar que, no caso presente, não vinha acompanhada de peixe frito ou grelhado, mas sim de… pedaços de Frango à Passarinho. Um must!!
Claro que não partilho aqui a fórmula (patamar acima de receita!), porque os segredos não se contam por aí.
E pronto! Aqui tentei deixar um escrito descomprometido, próprio da estação que atravessamos, não deixando de aconselhar os amantes deste prato da cozinha mais a sul, que a provem nalgum dos três locais que frequento amiúde.
Boas férias!!!

O autor utiliza o novo
acordo ortográfico

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