Férias

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

Nos últimos dias, têm sido notícia uma série de acontecimentos próprios desta época estival, ou seja, do aproximar das férias há muito desejadas por muitos, mas só possíveis para alguns que, nos tempos que passam, se podem considerar uns privilegiados.
Mas dizia eu que têm acontecido várias coisas próprias da época e outras nem tanto. Refiro-me concretamente aos debates na Assembleia da República, entre o Governo de José Sócrates e os deputados, legítimos representantes do povo português.
Foi o debate do Estado da Nação, sobre matérias extremamente importantes na vida dos portugueses. Falou-se da questão das alterações do Código do Trabalho, e embora aparentemente possa parecer que existem algumas medidas que melhoram a situação da precariedade, o que na realidade se passa é que as malfeitorias em caso de despedimento são muito maiores do que aquilo que aparentemente possa melhorar.
Em meu entender, é inaceitável que aquilo que foram matérias em que o PS discordou enquanto oposição – e estou à vontade para o afirmar, na justa medida em que na altura do debate sobre o actual Código do Trabalho eu era deputado e o que o PS então afirmou, pela voz do seu representante o deputado Artur Penedos – e hoje venha o mesmo PS, através doutros protagonistas, dar o dito pelo não dito e apresentar propostas que são manifestamente contra o interesse dos trabalhadores.
Não basta dizer que existe preconceito quanto às propostas deste Governo. Não, isso não basta (porque não é verdade). O que é honesto é ser coerente e demonstrar na prática com a execução de políticas que sirvam aqueles que são os mais frágeis na negociação, ou seja, o elo mais fraco da cadeia, que são manifestamente os trabalhadores, face à sociedade desumanizada em que vivemos, onde o dinheiro comanda a vida, quando deveria ser de forma equilibrada uma sociedade socialmente justa.
Mas ainda neste debate sobre o Estado da Nação se falou também sobre os trabalhadores da administração pública, que têm visto ser suprimidas uma série de conquistas que ao longo dos anos foram ganhas.
Ou ainda dos reformados, que vêm o seu poder de compra extremamente limitado.
Ou ainda dos agricultores, que vêem o aumento constante dos combustíveis tornar mais amarga a sua vida.
Ou ainda os produtores de leite, que vêem baixar os preços do leite e aumentar todos os preços dos factores de produção.
Ou ainda… e poderíamos enumerar uma série de situações que são preocupação de todos.
Às propostas da oposição, o Governo de José Sócrates fez e faz orelhas moucas, alegando que as suas propostas é que estão certas.
É o que se tem visto.
O país cada vez mais endividado, o crescimento económico cada vez mais comprometido e as famílias de menores rendimentos cada vez com maiores dificuldades. E até a classe média (se é que existe) cada vez com menor poder de compra.
Basta ver o número de casas que estão à venda por todo o país. E a banca continua a crescer.
Moral da história: mesmo em tempo de férias, os portugueses não podem estar descansados.

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