Fidelizações

Quinta-feira, 5 Junho, 2014

Napoleão Mira

empresário

Por que carga de água é que um cidadão simplesmente por ter aderido a determinado tarifário telefónico, tem de ficar agarrado (eles chamam-lhe fidelizado!) durante 24 meses à mesma empresa?
Na rua onde trabalho também há três mercearias. Imaginem que o merceeiro que me vende as batatas, me diz que se eu quiser das pequeninas para assar com casca, vou ter de nos próximos dois anos de comprar aí todas as minhas batatas.
No caso das batatas quase que compreendo, falamos de um produto perecível, no caso do serviço telefónico móvel, estes senhores vendem ar, e apenas… ar!
Diz-me o representante daquela para onde liguei debitando a minha indignação.
— Se o senhor depois de cumprido o prazo de fidelização mudar para outra empresa, verá que todas funcionam de igual modo.
Isto, foi-me dito com uma naturalidade estonteante. Como quando até há pouco tempo, entrávamos num estabelecimento, pedíamos um produto e, o empregado gritando lá do fundo, perguntava: — Com fatura, ou sem fatura?
Então isto não é cartelismo?
Então onde para a Autoridade da Concorrência?
Vivemos um tempo onde os gigantes económicos agem impunemente, à margem da lei e à margem do respeito pelo consumidor. É uma espécie de vale tudo e sempre com o beneplácito das figuras reinantes.
Caso o desgraçado “fidelizado” não consiga cumprir com o contrato firmado, logo sairá à cena uma quadrilha de seráficos cães de fila, vulgo, departamentos jurídicos, que há de espremer o infeliz “fidelizado” até ao tutano.
Queiram os deuses, não me toque a mim, que fui “obrigado” a aceitar as condições leoninas impostas; isto se quiser fazer parte do mundo em que vivemos.
De outro modo seria um contumaz. Uma espécie de Manuel “Palito” esbracejando contra o mundo das aplicações interativas.
E eu que tanto gosto de ver o meu Benfica enterrado no sofá!

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