Festa na Praça

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Rego

arqueólogo

Apesar de ter passado algum tempo, não posso deixar passar em claro a Festa na Praça, que o Conservatório Regional do Baixo Alentejo realizou, no passado dia 27 de Junho, na Praça da República, em Beja. Nesse palco, despido de qualquer preconceito, palco e actores, ficamos a conhecer uma alegria rara de juventude e de muita qualidade e dedicação que os jovens estudantes e professores dos núcleos do Conservatório transportam. Fascinante, é a única expressão que me sai dos lábios, depois de assistir à catadupa de moçada a mostrar a sua arte e alegria a uma plateia quase incrédula. De Beja, de Castro Verde, de Moura… A dança, os coros, os metais. Simplesmente fascinante. Aquele soberbo “Ensemble de Saxofones”, dirigido por Carlos Amarelinho, ou a interpretação irrepreensível da Orquestra de Sopros de Castro Verde, sob a batuta felicíssima de Ricardo Carvalho; a surpresa da intervenção do Coro (misto) de Beja e o aplauso quase apoteótico que brindou o Coro de Castro Verde, fazem pensar a dimensão de uma intervenção cultural quando assenta na solidez das raízes e na dinâmica de uma comunidade. Foi bonita a “festa na praça” e com uma dimensão inigualável. E falem da falta de juventude no Alentejo; falem da falta de dinâmica e de imaginação das gentes do Alentejo; falem do estigma da interioridade… Não viram? A forma como aqueles jovens invadiram aquele palco minúsculo com o que tinham para transmitir. Imagino que o tempo de professores e alunos, durante os meses de Julho e Agosto, será para férias. Mas parece-me que seria interessante que toda aquela arte saltasse mais para fora daquela praça. Workshops de Verão com especialistas convidados, trabalho de interpretação, audições… um sem número de iniciativas poderiam ser realizadas por este Alentejo todo, em eventos que trouxessem a estas bandas outros exemplos, outros jovens… que motivassem não só os que já lá andam, mas todos aqueles que podem encontrar na música um caminho de referência social e cultural. Um encontro anual de Conservatórios ou residências artísticas, distribuídas pelos pólos do Conservatório, abertas a jovens de outras partes do mundo, poderiam em crescendo dar a dimensão à música nesta região, onde as bandas são ainda parte fundamental da memória cultural e, como tal, intrinsecamente ligada aos gostos das suas gentes. Parabéns Conservatório Regional do Baixo Alentejo pela festa e pela juventude. Que a festa se repita e que se repita, em crescendo de Do a Si.

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