“Fazer batota”

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

João Espinho

Durante um programa de humor que tem feito sucesso na TV esmiuçando políticos portugueses, ouvi Pedro Passos Coelho, a propósito da “compra” de votos dentro dos partidos, dizer que há “batota nos partidos políticos, há batota na sociedade portuguesa” e que temos que acabar com essa batota.
Tem toda a razão Passos Coelho.
O mundo da política está inundado de batotice e os resultados estão à vista: em cada novo acto eleitoral é a abstenção quem mais sobe, num claro sinal de que é cada vez maior a percentagem de portugueses descrentes nos políticos e respectivas políticas.
A poucas horas de mais uma ida às urnas, convém relembrar quem, na nossa região, com a força do voto, mais “batota” tem feito.
Recuemos ao Outono de 2005 e recordemos as propostas que o PCP (a sigla CDU é uma espécie de batota pequenina, mas isso já todos nós percebemos) fez e com as quais se apresentou ao eleitorado bejense.
Prometeram-nos “mudança e modernidade, com uma nova equipa e uma nova dinâmica”. Não sei se houve batota, mas sei que nada mudou, que a cidade de Beja e o concelho não estão mais modernos, que a nova equipa depressa se habituou aos velhos vícios de quem há 35 anos detém o poder e que a dinâmica, essa, coitada, ficou sossegada nas linhas do programa eleitoral comunista.
Afirmavam os então candidatos que “não se pode pensar e construir uma cidade de costas voltadas para os cidadãos”. É verdade. Mas esqueceram-se que estas mesmas cidades também não podem crescer se os cidadãos lhes virarem as costas. Mercê de uma arrogância nada democrática, o PCP, instalado na Câmara Municipal de Beja, não soube nunca dialogar com quem pensa de maneira diferente, nunca aceitou as críticas, legítimas, e sugestões de comerciantes, empresários, artistas, produtores culturais e, claro, de simples munícipes participativos. Habituado ao “quero, posso e mando”, o PCP tem sido, no concelho de Beja, um agente da demagogia e da retórica, incapaz de projectar a região para o futuro, inapto para fixar pessoas e empresas, inábil em atrair investidores, numa terra cheia de potencialidades assim arrumadas a um canto, esquecidas e desaproveitadas.
O <b>desenvolvimento económico</b>é, para os representantes do PCP no executivo municipal, algo quimérico e ao mesmo tempo pernicioso: cheira a capitalismo e traz com ele todos os males do mundo. Entrincheirados numa ideologia caduca, os autarcas comunistas de Beja desconhecem o que é inovação, ignoram o empreendedorismo e nem querem ouvir falar de “criar riqueza”.
Voltando às promessas: asseguraram-nos que, se fossem eleitos – o que veio a acontecer – iriam construir uma cidade “multifuncional, moderna, estimulante e inovadora”. Pelo estado a que chegámos, percebe-se que a retórica e a demagogia andaram de mãos dadas durante este mandato autárquico.
A “Aldeia do Conhecimento”, essa promessa de parque tecnológico, para instalar empresas e clusters de inovação, ficou no papel ou então alguém aproveitou a ideia e pô-la em prática noutra cidade.
A “Requalificação do Mercado Municipal”, prometendo-se um espaço comercial de produtos de qualidade da nossa região, não passou de mais uma promessa.
Também o PCP nos garantiu, em 2005, a criação de um eixo de ligação de Beja ao Rio Guadiana. Desejava-se, no programa eleitoral, criar qualquer coisa ligada ao turismo, com complexos turísticos de apoio a percursos ecológicos ao longo do rio e a instalação de uma praia fluvial. Seguramente por incapacidade própria, o executivo bejense não quis saber do que prometeu e se recordarmos como foram as relações do presidente da Câmara com a extinta Região de Turismo Planície Dourada, percebe-se mais facilmente a razão por que nunca houve vontade de incrementar a vertente turística no concelho.
Podíamos falar também doutras promessas, como o “Parque Urbano/Rural”, à volta da Expobeja, do “Parque dos Inventores”, da requalificação do Parque de Campismo, da remodelação da Biblioteca Municipal, dos incentivos à produção cultural local, das novas instalações para o Arquivo Histórico Municipal, da renovação e requalificação do Jardim Público, da revitalização do centro histórico, etc, etc….
O PCP/CDU fez batota ao não cumprir. E não se pode queixar de não ter tido condições políticas para levar a cabo o seu programa eleitoral. Com batota, conseguiu no executivo uma maioria absoluta, a meio do mandato, que não lhe foi concedida pelos eleitores. Dispunha na Assembleia Municipal, mercê das inerências, de uma folgada maioria absoluta.
Agora, com grandes outdoors, o executivo camarário vem dizer-nos que “Beja orgulha-se”. De quê? De quem? Das promessas incumpridas? Do atraso e da estagnação?
Mas o PCP, hábil e experiente, vem em 2009 prometer “Beja a crescer”. Não se sabe em quê nem como. É uma promessa que serve para tudo. Depois de “esvaziar” a cidade e a região, vamos crescer, ficar mais adultos, mais velhos. Deve ser isto que nos está a prometer a CDU.
No próximo domingo podemos pôr um ponto final nesta batota.
Se não deixarmos nas mãos dos outros as decisões que a todos dizem respeito, se cada um de nós exercer o seu direito de voto, seguramente que os nossos filhos e netos poderão, de facto, crescer numa verdadeira cidade.
Ainda vamos a tempo de construir o futuro!

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