faltam maiúsculas

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Serafim

contador de histórias

as cidades são aquilo que as pessoas querem que elas sejam. Há que aceitá-lo. Acreditamos que vale a pena espalhar sementes sem questionar as pessoas se querem colher da mesma safra. E afinal quem somos nós para educar alguém? E afinal quem somos no meio de uma sociedade para assumir o papel de formadores dos outros? E afinal quem somos quando dizemos que devem ver isto, frequentar aquilo, ou fazer assim e praticar assado.
acredito que cada homem deve respirar do ar que sonha. E que cada um deve lutar por merecer cada centímetro cúbico do ar que tem, inspirando-o mais fundo para ser homem mais longe.
acredito que não tenho que impingir ideias e projectos a terceiros. Acredito que as democracias oferecem a possibilidade única e maravilhosa de os cidadãos decidirem e intervirem pelos seus direitos e deveres. Acredito que a democracia concretizou efectivamente um vasto conjunto de possibilidades e acessos a áreas tão díspares como a educação, o desporto, a habitação, o social, a política, etc…
acredito ainda e não sei como que, qualquer ser humano tem um potencial único para transformar, lutar, mudar, contestar, falar, dialogar… se calhar o problema é que, são demasiados verbos terminados em ar, este mesmo elemento que andamos a maltratar todos os dias de hora a hora.
quero acreditar que o alentejo e ainda mais beja (por ser a minha terra aquela que mais amo e menos conheço) têm a obrigação de possuir muito mais para vender, oferecer e partilhar do que entremeada de porco preto, caracóis, moelas em molho de tomate, tremoços, imperiais, vinhos, migas de entrecosto, açordas de coentros com postas de bacalhau ou na variante da pescadinha cozida.
quero acreditar que a cultura de facto exige mais das pessoas, contribuindo com a sua quota parte para a compreensão pelo outro e assim sendo humanizada, valorizando as relações inter-pessoais apontando caminhos para que o “arraiol azul” seja um local que valha a pena.
quero acreditar que a cultura não se transformou num mero instrumento que se usa e abusa apenas para alimentar o ego dos seus agentes.
queria que esta crónica merecesse letras maiúsculas, palavras maiúsculas, sonhos maiúsculos, bejas maiúsculas, “incomodistas” maiúsculos, gentes maiúsculas…
felizmente que à margem se escreverão outras páginas.

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