Esperar o tempo

Quarta-feira, 3 Maio, 2023

José Francisco Encarnação

Presidente da Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Almodôvar e Graça dos Padrões

O tempo pode ser definido das mais variadas formas. Dar tempo ao tempo, é tempo de, já passou o tempo, falta pouco tempo, já passou demasiado tempo, o tempo passado, no meu tempo, etc., etc.. 

Quando, ao final da tarde, nos juntamos para uma partida de sueca, os vulgos 10 risquinhos, o meu amigo Zé Carlos costuma utilizar uma frase que, desde o início, sempre me fez pensar. Diz ele, “tenho que dar o tempo…”. 

Quer ele dizer que tem que esperar o tempo certo para fazer a jogada decisiva. Como excelente jogador de sueca que é, na maior parte das vezes tem razão e ganha. Mas por vezes, o tempo dele não é o que o jogo exige e lá vai uma bolinha para a equipa adversária. 

Esta frase, cheia de sabedoria popular, pode aplicar-se aos mais variados aspetos da vida. Desde a vida pessoal, a profissional, a social e também à vida política, para quem gosta e está envolvido nela. 

Neste particular, a gestão do tempo é essencial. Saber quando devemos estar e quando devemos sair. Quando devemos assumir e quando nos retirar. O tempo pode ser o nosso melhor aliado mas também poderá ser um inimigo que nos irá empurrar para o ocaso ou então para um poço de onde não consigamos sair. 

Tal como gerimos o tempo, também aquilo que fazemos e dizemos, deverá ser coerente, os princípios pelos quais nos regemos não deverão andar ao sabor do vento, tipo cata ventos, pois nesse caso a nossa credibilidade sairá de tal forma molestada, que não haverá tempo que a recupere. 

Daqui a pouco mais de dois anos, no calendário político, será tempo de mudanças. De ciclos, de caras e, principalmente de ideias. Será o tempo daqueles e daquelas que acham que chegou o tempo, de se assumirem. De dizerem que o seu tempo chegou. De colocarem as suas ideias, as suas prioridades, os seus anseios, os seus desafios, perante quem irá ter a possibilidade e, principalmente, a responsabilidade de escolher.  

Tal como faz o Zé Carlos, temos que esperar o tempo. Mas não podemos esperar demais senão o nosso tempo esgota-se. Se não jogarmos no tempo que o jogo exige, corremos o risco do nosso tempo ter passado. E o jogo já se iniciou. É tempo de começarmos a jogar com o mesmo e, se for o caso, jogar a carta que nos irá permitir ganhar. Por vezes, tanto queremos adiar a jogada decisiva que o nosso adversário se antecipa e quando vamos jogar, o trunfo de nada irá valer. Já a vitória foi averbada ao nosso adversário. 

Cada um saberá qual o seu tempo. Que poderá não ser o mesmo para todos. 

Mas, penso eu, atendendo às circunstâncias e ao espetro que hoje temos, está a chegar o tempo de, quem assim o quiser, deixar de dar tempo ao tempo e assumir que é tempo. 

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