Entre o Natal e o Ano Novo

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

É um lugar comum dizer-se que se deseja um bom Natal e um óptimo novo ano. E assim é, o nosso desejo é de que todos possam ter umas boas festas e que o novo ano traga aquilo que todos esperamos: paz, alegria, saúde e bem estar, incluindo o bem estar económico/financeiro.
Infelizmente, esses desejos, sobretudo o último, o económico/financeiro, parece cada vez mais distante, pois o que se avizinha não augura nada de bom.
Com efeito, foi aprovado um Orçamento de Estado para 2011 que é sinónimo de um ano com maiores dificuldades, sobretudo para aqueles que já tinham dificuldades acrescidas.
Para além daquilo que todos já conhecemos, como a diminuição nos salários, a estagnação das pensões de reforma, o aumento do IVA (o tal imposto cego que a todos toca, mas mais aos que menos têm), diminuição dos subsídios sociais, incluindo os abonos de família, etc, etc, etc.
A estas dificuldades podemos, desde já, juntar os aumentos anunciados e outros em vias de tal.
São os aumentos dos combustíveis que todos os dias sobem (ou quase).
É o aumento da electricidade, que vai ser efectivo em Janeiro.
É o aumento dos transportes públicos já quantificados em 4,5% e que as empresas de transporte classificam de pouco.
É o aumento de bens alimentares que já começaram e vieram para ficar, como foi o caso da crise do açúcar que provocou escassez, mas também aumento.
É o pão, é o leite, é tudo e mais alguma coisa.
E os salários, e as pensões sobem? Não, como já atrás afirmei.
O pior é se os juros sobem e as prestações das casas também! Aí irão existir maiores dificuldades, a juntar à já de si precária economia familiar. E a juntar também mais pobres aos milhares de pobres já existentes no nosso país.
O desemprego subiu de uma forma dramática e atirou para a miséria milhares de pessoas que até ali tinham uma vida razoável.
Verificamos isso todos os dias (infelizmente) através dos telejornais e dos relatos que nos chegam das mais variadas formas. Famílias inteiras de mão estendida, de pobreza envergonhada, vão recorrendo ao Banco Alimentar e a tantas organizações (IPSS), incluindo juntas de freguesia e câmaras municipais que se organizaram de forma a amenizar o sofrimento destas famílias.
Diz-se que a crise é para todos, mas não é. A crise é efectivamente para muitos, ou seja para grande parte da população portuguesa, mas fica fora dela muita gente com grande poder económico e político, ou dito de outra forma, com grande poder financeiro que influencia de forma negativa a política em Portugal. Basta ver os ganhos astronómicos da banca e seguros e de empresas que pretendem distribuir dividendos de lucros chorudos que tiveram em 2010.
Uma injustiça, que manifestamente agrada a alguns, mas lesa outros de forma profunda, já que não foram nem serão taxados este ano.
É por isso que a comunicação natalícia de José Sócrates cheira profundamente a uma provocação barata e não a nada de sério que os portugueses devam seguir, pois só se respeita quem se dá ao respeito e não é o caso, manifestamente.

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