Eleições importantes

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

Em plena campanha eleitoral a minha crónica não podia versar outro tema que não fosse este, já que o sentimento que nos assola no dia-a-dia é o de que todos os partidos e coligações apresentam os seus programas e cada um deve lê-los e apreciá-los de acordo com as propostas elaboradas e aquilo que elas representam para a nossa vida, uma vida que, particularmente, cada um deseja, mas não é menos verdade que o colectivo das decisões pode e deve repercutir-se em políticas novas que a cada um e a todos importam.
É por isso que estas, como outras, são importantes nas eleições.
Cada um deve procurar votar e influenciar outro para que vote, pois a abstenção não resolve nada e pode, em certos casos, influenciar negativamente os resultados.
Nesta campanha, especificamente para as eleições legislativas, concorrem 15 partidos e coligações, e procuram todos agradar aos eleitores, como é natural. Até o primeiro-ministro José Sócrates deixou de ser tão arrogante como era (à sombra da maioria absoluta) e passou a ser mais cordato e até mesmo “bonzinho”, esperando agradar aos eleitores e não perder o comboio.
O PSD, esqueceu o passado, de quando foi Governo no tempo de Cavaco Silva (também com maioria absoluta), a sua arrogância do “ quero, posso e mando” e do “deixem-nos trabalhar” para uma versão mais soft do querer apresentar soluções à governação socialista. Está bem de ver que estes partidos que sós ou coligados à direita governaram o nosso país nos últimos trinta anos pensam que os portugueses já esqueceram as políticas que praticaram ao longo destas últimas três décadas e o reflexo que isso teve nas suas vidas.
As reformas de mais de um milhão de portugueses que continuam baixas, apesar de ambos prometerem em campanha eleitoral melhorar as reformas mais baixas. A Segurança Social que dizem não querer privatizar nos seu princípios, mas que o PS já lhe deu uma machadada nas reformas e o PSD quer entregar ao sector privado o melhor que ela tem, ou seja, um Fundo de Pensões extremamente apetitoso para qualquer seguradora existente ou a criar.
Seria como que criar uma Segurança Social para os mais pobres e uma semi-privada para os de rendimento médio ou acima disso. Era desmembrar definitivamente a Segurança Social. Não, não estamos esquecidos que no tempo de Cavaco Silva a Segurança Social viu-se privada de muitos milhões de contos (moeda antiga) dos regimes não contributivos, que por obrigação legal a Segurança Social paga mas deveria ter sido reembolsada desses pagamentos, o que nunca aconteceu. Cálculos indicam que será de 1.500 milhões o valor que nunca foi pago.
O PS e José Sócrates agora nestes últimos quatro anos alteraram o cálculo da reforma, o que vem piorar a curto/médio prazo os valor das mesmas.
Mas ambos continuam a verberar que lutam por melhores condições sociais.
Política de verdade? Nem por isso. Quer de um quer de outro lado.
À direita do PSD situa-se o CDS/PP, que procura um lugar ao sol se o seu parceiro não ganhar as eleições.
As suas políticas continuam com ligeiras diferenças, será porquê?
À esquerda do PS situam-se os dois partidos, o Bloco e a CDU, que procuram demonstrar aos eleitores a sua capacidade para governar. A CDU tem um programa, mas também tem um projecto, para uma sociedade mais justa, mais fraterna e também mais social, onde os instrumentos da economia estejam ao serviço dos portugueses e não ao serviço de empresas de grande capital monopolista, como tem acontecido até agora.
O que verifico é que os portugueses continuam a não ler os programas dos partidos e coligações que concorrem aos actos eleitorais, porque se o fizessem talvez os votos fossem distribuídos de maneira diferente.
Os trabalhadores da Função Pública não têm razões de sobra, para criticarem as políticas do PS de Sócrates?
Claro que têm.
Os professores não têm razões de sobra para criticarem as políticas do PS de Sócrates?
Claro que têm.
Os agricultores não têm razões de sobra para criticarem as políticas do PS de Sócrates?
Claro que têm.
Os reformados, os pensionistas mais desfavorecidos não têm razões de sobra para criticarem as políticas do PS de Sócrates?
Claro que têm.
Mas todos eles têm razões acrescidas para não votarem nem no PS nem no PSD.
O Partido Socialista, que governou com políticas de direita ao longo de mais de quatro anos, é o mesmo em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Setúbal e em Beja, pois as suas políticas afectaram de igual modo e em todo o espaço nacional, e talvez por isso na candidatura à Câmara Municipal de Beja o símbolo do PS apareça tão sumido na propaganda eleitoral.
Se calhar não acreditam em bruxas, mas escondem o símbolo, não vá o diabo tecê-las.
Estou com um forte sentimento que, apesar de todas as dificuldades, o povo saberá escolher e no momento exacto dará a resposta adequada em cada acto eleitoral e dará o seu voto àqueles em quem confia.
Respeitando a vontade popular que vai ser expressa nas urnas, o que se pode e deve pedir aos eleitores, a cada um de nós, é que vá votar e que vote em consciência.
Eu, por mim, há muito que tenho uma opção político/partidária que considero justa e equilibrada e que pode transformar a sociedade.
Eu voto CDU!

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