Do micro ao macro!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

José Carlos Albino

consultor

É sabido que o nosso tecido empresarial é, há muito, dominado por micro e pequenas empresas (MPE). Tal situação foi totalmente ignorada no pós-integração europeia na, então, CEE.
Há 25 anos a aposta governamental para a modernização da economia assentou, quase exclusivamente, nos impulsos e apoios aos médios, grandes e “enormes” projectos empresariais, porque “só com o grande se pode fazer muito”.
A propósito, lembro um episódio. Beja, 1992, apresentação do SIBR – Sistema de Incentivos de Base Regional. Face à informação de que o “sistema regional” só apoiaria projectos superiores a 100 mil contos de investimento por PMEs, de dezenas de postos de trabalhos, fiquei atónito e, na altura autorizado, interpelei o sr. director do Desenvolvimento Regional. Disse, então:
“Face à realidade empresarial no Alentejo ser composta por 90% de empresas com menos de 10 postos de trabalho, sendo 85% de menos cinco, qual o impacto do SIBR no desenvolvimento económico da região? Não seria mais adequado apoiar as MPEs, Micro e Pequenas Empresas, assumidas como segmento específico e determinante?”
À questão, o dr. director, com um sorriso sibilino e sarcástico, disse: “Isso de MPEs é uma invenção ou é irrelevante para a economia, pois só grandes projectos nos levarão ao moderno desenvolvimento. Este SIBR é que é frutuoso para o país e região”.
Pois, foi assim! Mas, passados uma dúzia de anos, as MPEs entraram no vocabulário das diversas lideranças políticas, económicas e sociais. Até houve um RIME (Regime de Incentivos para Micro Empresas), de boa memória e fraco orçamento. E, no discurso, as MPEs foram ganhando forte relevância para “a luta do emprego” e da “batalha da produção”. Dos sorrisos irónicos saltou-se para a seriedade discursiva, mas a ausência das MPEs nas estratégias, políticas, incentivos e intervenções para o “Desenvolvimento de Portugal-todo” manteve-se.
De facto, a lógica do “só o grande faz grande” permanece por dentro da maioria do nossos líderes. Mas as coisas vão mudar, porque não se vislumbra alternativa. Façamos para que, agora, se aposte nos “micros” em conjunto, seja nos territórios ou nas especialidades.
Será que nesta “emergência nacional”, finalmente, se apostará nas unidades económicas que nos diferenciam e nos potencializam? Fazer por isso é uma obrigação, a bem dos futuros.
Nos micros, também nos territórios, em redes e em conjunto, façamos o caminho do progresso sustentável.
Do micro ao macro !

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