Dez questões e uma resposta

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Madeira

dirigente do PCP

Que fazer quando a situação dos trabalhadores e do povo piora em cada dia que passa e os “media” da classe dominante tentam convencer os cidadãos de que não há alternativas?
Que fazer quando os sacrifícios impostos são só para alguns – os trabalhadores, os mesmos de sempre – e os senhores do capital continuam a acumular lucros escandalosos, lançando milhares de famílias na pobreza e miséria e agravando as desigualdades sociais?
Que fazer quando aumenta de forma galopante o desemprego, sobem os impostos e os preços dos bens e serviços essenciais, há cortes nos salários e nas pensões, crescem as dificuldades de acesso à Saúde e à Educação, aos transportes públicos?
Que fazer quando o Governo estabelece como objectivo estratégico o empobrecimento do país e perda de soberania?
Que fazer quando o único programa do Governo é cumprir e ultrapassar o pacto de agressão e ingerência imposto pela “troika” estrangeira ao PS, PSD e PP com o patrocínio do Presidente da República?
Que fazer quando um secretário de Estado da Juventude aconselha aos jovens a emigrar e um ministro da Economia “garante” que a crise acaba em 2012?
Que fazer quando, com a apresentação do Orçamento do Estado para 2012, se torna mais claro que a única política do Governo PSD/PP, com a conivência do PS e o aplauso dos banqueiros e patrões, é o aumento da exploração dos trabalhadores e a liquidação de direitos e garantias fundamentais?
Que fazer quando é mais evidente que os partidos da direita e seus serventuários, ao serviço do grande capital estrangeiro e nacional, travam um ataque sem precedentes contra o Portugal de Abril, violando a Constituição da República?
Que fazer quando, nesta União Europeia do capital, a Alemanha prospera à custa da exploração de outros países e já não tem pejo em usurpar a soberania dos estados “periféricos”, impondo governos “dóceis” ao arrepio de quaisquer princípios democráticos?
Que fazer quando o presente é de enormes dificuldades e nos dizem que não há perspectivas de um futuro melhor para todos?
Tantas perguntas. E uma só resposta: o caminho é a luta.
As “soluções” neoliberais que Berlim e Bruxelas impõem em Portugal – mas também na Grécia, Irlanda, Itália ou Espanha – não são únicas. Há alternativas patrióticas e de esquerda. Hoje, mais do que nunca, é necessário que os trabalhadores se unam e lutem contra as medidas de “austeridade” que provocam desemprego, pobreza, recessão económica, atraso no desenvolvimento do país.
São para seguir e continuar os exemplos recentes da manifestação dos trabalhadores da Função Pública, alvo privilegiado da sanha persecutória do Governo PSD/PP, e do desfile dos militares exigindo a dignificação da sua condição.
A greve geral do próximo dia 24 será outro marco da luta dos trabalhadores portugueses contra o desastre nacional para que as políticas governamentais arrastam aceleradamente o país.
Razão tem o Partido Comunista Português ao apelar aos trabalhadores, à juventude, ao povo, para que “mobilizem a sua força num grande movimento capaz de derrotar a ofensiva em curso e assegurar a ruptura e mudança, uma política patriótica e de esquerda, para um Portugal com futuro”. Razão têm os comunistas ao lembrar que, como a História demonstra, “é a força da luta que pode fazer frente às mais poderosas ofensivas contra o povo e o país, derrotar a chantagem do conformismo e do medo e trilhar os caminhos da alternativa”.

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