Cultura, cidadania, Universidade do Alentejo

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

António Revez

<b>1. </b>Ai a cultura… Em Outubro de 2006, passado um ano de mandato, o executivo bejense promoveu o debate “Cultura no Município de Beja: Reflectir, Debater, Decidir”. Dessa reunião com alguns dos agentes culturais do concelho, resultou a criação da Comissão Instaladora do “Conselho Municipal da Cultura”, constituída por 10 associações, e que teria o objectivo de elaborar, no prazo de dois meses, o regimento e funcionamento daquele conselho. Ou seja, até ao final de 2006. Já passaram cerca de oito meses, e não existe regimento/regulamento nenhum! E lembremos que esse conselho, depois de instituído, teria, de acordo com o responsável pela Divisão Sócio-Cultural da Câmara de Beja, como tarefas, nomeadamente: “a elaboração do Plano de Actividades e Orçamento da autarquia e na definição da realização de grandes eventos na cidade”. Ora, na véspera da discussão do Plano e Orçamento para 2008, parece que tal conselho é, mais uma vez, uma coisa adiada…
Mas nessa reunião, em 2006, foi dito mais. Foi dito que entre as “grandes apostas culturais” para o primeiro semestre de 2007 constaria a realização de um Festival da Juventude. Pois bem, estamos a chegar ao fim do primeiro semestre de 2007 e desse festival népia! Ah, e recordemos que esse “imaginado” festival substituiria a “Beja Alternativa” e o “Além Rock”, iniciativas que a Câmara de Beja deixou morrer.

<b>2.</b> Também corria o ano de 2006 quando a CMB resolve aplicar à população um muito mal encavado inquérito por questionário, no âmbito do “Município Participado”. A ideia era boa, o questionário, copiado do Município de Palmela, era sofrível. Mas tudo bem, percalços de uma primeira aventura na cidadania pós-moderna. O questionário foi promovido, veio inserto no Boletim Municipal, e, pelo que apurei, pelo menos 1000 respondentes, entre eles eu, deram-se ao trabalho de participar e endereçar as suas opiniões e sugestões. Acontece que passaram já muitos meses e os serviços da Câmara ainda não disponibilizaram os resultados da análise que certamente fizeram ao questionário. Que certamente fizeram, quero crer, mais que não seja, mesmo que liguem nenhuma ao que lá é proposto, por respeito elementar a todos os que responderam. Mas, apesar de nada se saber sobre o tal questionário, eu, que não sou jornalista, entendi ligar para a Câmara nesta segunda-feira (dia 28) de manhã e inteirar-me do que se passa. Encaminharam-me para o Gabinete de Informação, e de lá o que me disseram é que era assunto que só podia ser esclarecido pelo responsável do gabinete, um tal de Paulo Bernardino. Mas completaram também que durante as manhãs o senhor fazia um programa de rádio e tal e que o melhor era procurá-lo ao fim da manhã ou depois do almoço. Na boa. Volto a tentar ao fim da manhã, depois do almoço, a meio da tarde e ainda mais tarde, e a resposta é sempre a mesma: “Era para ter vindo, e não é possível contactá-lo porque tem o telemóvel desligado”. De qualquer modo, agradeci as diligências da senhora do Gabinete de Informação…

<b>3.</b> O presidente da CMB defende a transformação da Universidade de Évora em Universidade do Alentejo. E acho que faz muito bem! Eu também defendo. Penso que a justificação que adiantou não foi a melhor, mas isso não é o mais importante. E foi um deleite observar as reacções àquelas declarações. Entre o ramalhete de disparates, ouvi ou li coisas como, “o homem quer acabar com o IPB”, ou “o IPB ficaria subjugado a Évora e fecharia” e etc.
Pois bem, para adianto de conversa, diga-se desde já que a responsabilidade pela caricatura que o IPB é hoje em relação ao que já foi, deve ser-lhe, em grande parte, imputada. Reafirmo que o IPB não soube, na altura certa, fazer um diagnóstico correcto, uma avaliação prospectiva, e uma viragem estratégica que rompesse com a oferta de cursos inadequados e desajustados a diversos níveis, e introduzisse, com trabalho e afinco negocial, cursos inovadores e “realistas”, e capazes de mobilizar as primeiras preferências dos alunos da região e não só.
Mas voltemos à Universidade do Alentejo. É possível e desejável, caso convirjam as vontades das assembleias de representantes das instituições de ensino superior de Évora, Beja e, porque não, Portalegre. A criação de uma “marca” universitária alentejana comum, bem “desenhada” e promovida, consagrando a autonomia relativa das várias unidades orgânicas, desencadeando sinergias e a subsidiariedade dos recursos materiais e humanos, constituiria uma solução institucional que beneficiaria as comunidades dos diversos campus ou pólos, a mobilidade e a interdependência científica, pedagógica, tecnológica e patrimonial, e seria um ainda mais eficaz factor de desenvolvimento do Alentejo (ou Alentejos).
E note-se que a articulação orgânica e administrativa de subsistemas de ensino superior e politécnico já existe no nosso país e é bem sucedida, como é o caso da Universidade do Algarve. Um exemplo que devia merecer a atenção de alguns responsáveis políticos e dirigentes de instituições, antes de se entrincheirarem no costumeiro e provinciano fado do orgulhosamente sós, pequeninos e teimosos. Com resultados à vista…

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