Crise no bolso

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

Como é sabido a crise no Orçamento de Estado tem tido e vai continuar a ter, reflexos quer no dia-a-dia das empresas, quer nas finanças públicas através da chamada dívida do Estado ou dívida soberana, mas sobretudo o maior e mais negativo reflexo é nas famílias com menos rendimentos, ao contrário dos bancos e da bolsa que cada vez mais enriquecem à custa do movimento bancário, mas também do movimento especulativo da banca portuguesa.
Com efeito, quem mais se ressente com a crise são aqueles, que mesmo no chamado período das “ vacas gordas” já tinham enormes dificuldades económicas, ou seja, os reformados, os desempregados, sobretudo os de longa duração, bem como todos aqueles cujos rendimentos são insuficientes para ter uma vida digna, e podem crer que são imensos. Fala-se em números deveras impressionantes, e que pecam por defeito, ou seja, cerca de dois milhões e meio de pessoas vivem hoje no limiar da pobreza, em Portugal.
Existe efectivamente muita pobreza escondida, envergonhada, sobretudo no extracto da população que tinha algumas condições e deixou de as ter por força do desemprego, para onde foram empurrados.
Segundo as previsões da União Europeia, o número de desempregados (que consta das estatísticas) deve atingir os 11% num futuro muito próximo.
É deveras impressionante.
Conhece-se igualmente, que, o número dos sem abrigo deverá atingir as 2.000 pessoas, sobretudo nas grandes cidades, onde a intervenção se faz de forma ordenada.
O número dos que recorrem às várias instituições de solidariedade social Cáritas, Cruz Vermelha, etc) são cada vez mais, conforme nos é dito todos os dias à hora dos telejornais.
Os pobres são cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. É esta sociedade que infelizmente temos nos nosso país.
Se quisermos falar ainda da grande massa de reformados que são cerca de um milhão e oitocentos mil e que a grande maioria, cerca de oitenta por cento, recebe menos de 350 euros mensais e que destes cerca de trinta por cento recebem menos de 250 euros mensais. Estamos a falar de números (e os números são pessoas) extremamente impressionantes que levam ao aparecimento de um significativo número de pobres no nosso país.
E todos eles vão ter que pagar o IVA a 23 %, a partir de Janeiro de 2011, ou seja a mesma taxa que vai ser cobrada a quem tem condições económico-financeiras bastante boas. É manifestamente injusto, e socialmente reprovável.
Os cortes nos subsídios de desemprego, nos subsídios de reinserção social e no abono de família, são outros que vão contribuir para o aumento das necessidades, da já de si carenciada, economia familiar dos mais necessitados.
Tudo isto em nome da estabilidade financeira do Estado, do equilíbrio do défice orçamental.
Pagam os que menos podem, para que os bancos e as seguradoras vivam cada vez mais à larga, o que é manifestamente injusto e socialmente reprovável.
Se refiro esta expressão, mais uma vez, é porque considero inquietante esta injustiça que apela à nossa participação cívica.
Não há nem pode haver Orçamento de Estado que atropele a nossa consciência.

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