Cortes não são cegos…

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Alberto Matos

dirigente do BE

Os cortes nas áreas sociais que se anunciam para o Orçamento 2012 são brutais, mas não cegos. A direita no Governo justifica as medidas anti-populares com a chantagem do acordo da “troika” e aproveita a destruição dos serviços públicos para abrir caminho às privatizações, alimentando as suas clientelas.
A saúde, o bem mais precioso – Portugal ocupa hoje um honroso 11.º lugar no ranking da OCDE, muito à frente dos EUA, por exemplo – está na mira do assalto que visa desarticular o SNS e escancarar as portas aos negócios das seguradoras e farmacêuticas que vivem das doenças, à custa da nossa saúde.
O fecho do laboratório de análises clínicas do Hospital de São Paulo, em Serpa, reduzido a um mero posto de colheita de sangue, é exemplar até pela reacção que provocou entre a população do concelho. Esta foi a última (?) medida da administração da ULSBA, nomeada pelo Governo PS, empenhada em facilitar a sucessão aos novos boys laranja – se não houver viragens de casaca…
Em Julho de 2011, o SAP do Hospital de Serpa foi substituído pelo chamado Serviço de Urgência Avançado, com promessas de melhoria da qualidade do atendimento que se revelaram uma autêntica fraude.
O serviço médico passou a ser assegurado por uma empresa de aluguer de mão-de-obra que trabalha “à peça”, sem articulação com o Centro de Saúde, sem conhecer os doentes e a sua história clínica. E estes médicos têm vindo a fazer pressão para o encerramento do serviço de urgência, alegando falta de condições de trabalho – como aconteceu no passado, antes do fecho das cirurgias.
Está em risco a continuidade do serviço de Urgências em Serpa, a exemplo de Vendas Novas, onde a ARS Alentejo terminou o contrato com a empresa que fornecia médicos para o horário nocturno.
Há muito que o Hospital de São Paulo funciona de forma deficiente:

• A Urgência tem apenas uma equipa – médico e enfermeiro; por lei deveria ter dois médicos, dois enfermeiros e meios de diagnóstico 24 horas por dia;
• Desde 2010 que os exames de RX não têm relatório; em 1 de Janeiro de 2012, por imposição legal, o serviço de RX poderá encerrar se não for digitalizado;
• A fisioterapia ficou sem utentes externos ao hospital, por falta de transportes;
• Desde 1 de Outubro, só há médico no internamento durante a manhã;

A degradação contínua dos serviços do Hospital de Serpa não afecta só as Urgências: fechou a farmácia, acabaram as consultas externas de cirurgia, pequena cirurgia e ortopedia; só restam as de fisiatria e diabetes.
Esta situação afecta não só as populações do concelho de Serpa, mas toda a margem esquerda do Guadiana, em particular os idosos sem posses para pagar deslocações a Beja, Évora ou Lisboa. Até os bombeiros sentem a falta de serviços de transportes, uma vez que estes deixaram de ser comparticipados.
A melhoria das condições humanas e materiais de funcionamento do Hospital de São Paulo é indispensável à viabilização do prometido Serviço de Urgência Básica em Serpa – como em Moura, Castro Verde e Odemira – articulado com o Centro de Saúde e com os profissionais do SNS, na batalha diária da promoção e educação para a Saúde que vai muito além do mero combate às doenças.

<b>P.S. </b>Se os cortes na Saúde não são cegos, o que dizer da extinção da IGAL – Inspecção Geral da Administração Local – e da sua integração na IG de Finanças, como se a esta não bastasse o combate à fraude e evasão fiscal… Na sua carta de despedida, uma peça notável, o inspector-geral cessante, juiz desembargador Orlando Nascimento conclui: A CORRUPÇÃO GANHOU! A carta esteve publicada on-line, no site da IGAL e foi retirada por ordem do ministro da tutela, Miguel Relvas, o homem do “Documento Verde” que promete uma reforma profunda da Administração Local. Começou bem … Contra este acto de censura miserável, pode ler na íntegra a carta do Director do IGAL em http://beja.bloco.org/images/pdf/carta_igal.pdf.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Em Destaque

Últimas Notícias

Role para cima