Copeu e tapeu com muito cachondeu!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Luís Dargent

dirigente do CDS

Se Beja é a minha “terra-mãe”, então Barrancos é a minha paixão. Sim, neste tempo de meias tintas, do politicamente correcto, da contenção emocional e outras tontices, eu declaro inequivocamente e a quem me quiser ouvir (ler) que tenho esta paixão. Se o meu amor por Beja é racional e sereno, no caso de Barrancos é exactamente ao contrário.
A Barrancos vai-se e nunca mais se sai de lá, ficamos sempre presos aos seus sabores, cheiros, sons, cores, sorrisos e, sobretudo, à liberdade que lá desfrutamos. Como que para nos recompensar da atribulada viagem, os barranquenhos recebem-nos sempre de uma forma inexcedível, como que dizendo, “já que te atreveste, agora aguenta-te”! De facto, estas gentes sabem receber: os ricos fazem-se menos ricos, os pobres fazem-se menos pobres, os políticos fazem-se menos políticos, as autoridades fazem-se menos autoritárias e os amigos fazem-se mais amigos. E isto tudo não é por interesse, falsidade ou engano, não, é apenas para que nos sintamos melhor, mais confortáveis, mais arrimados. Em Barrancos estamos sempre lá todos, os que estão, os que não puderam vir e os que já partiram. Estamos lá todos quando cantamos, quando dançamos, quando comemos, quando bebemos, quando rimos e quando choramos. Põem-nos no alto se estamos em baixo, e no nosso lugar se alarvejamos.
Não resisto a contar um episódio que me passou, já há muitos anos, durante as festas em honra de Nossa Senhora da Conceição. Terminado o baile no Quintalão, mais cedo que o habitual, pouco passavam das cinco horas da matina e estando ainda indisponível a açorda vital, para que nos aguentássemos até ao “encerro” dos toiros, resolvi ir comprar tabaco ao único sítio que o vendia fora de horas, que era o barbeiro que abria por volta das seis horas da manhã. Ora o trajecto do baile até ao “salão” do baeta era dificultado pela excessiva inclinação das ladeiras e pelas “minis”. Chegando extenuado, sentei-me num poial de uma casa em frente, sendo rapidamente vencido pelo sono. Só me lembro de acordar a ser assoado por uma senhora de idade que me disse a cantar: “Filho tem cuidado que estas manhãs são muito frias”. E confundida pelo meu acordar sobressaltado acrescentou: “Não tenhas medo que o lenço está lavado!”.
Depois disso, sempre que posso, vou assoar a alma a Barrancos.
Dedico esta desastrada crónica a todos os meus amigos barranquenhos, desejando que Deus os “arrebente” com saúde…

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