Conhecer a crise

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Carlos Valente

Director Geral da Pioneer Portugal, Vice-Presidente do PSD do Distrito de Beja

Neste artigo quero, antes de mais, elogiar a recente iniciativa da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que lançou um novo portal com o nome “Conhecer a Crise” (www.conheceracrise.com).
O portal “Conhecer a crise” é destinado a dar visibilidade aos principais indicadores económicos e sociais capazes de traduzir com mais pormenor a situação de crise que Portugal atravessa.
Além de entidades oficiais, foi necessário recorrer a organizações civis e a empresas económicas que detêm informação importante. Utilizam também com frequência inquéritos de opinião e atitudes.
Esta mesma fundação criou também a Pordata, que é um outro portal de grande utilidade pública, onde são recolhidos e publicados dados anuais sobre o estado do país, quer em termos económicos quer em termos sociais.
O portal “Conhecer a crise” utiliza dados trimestrais e mensais, mais adequados a medir a evolução actual, assim como as reacções das famílias e empresas, na sua tentativa de se ajustar ao novo contexto económico e superar algumas dificuldades.
Com esta iniciativa, pretende a Fundação Francisco Manuel dos Santos contribuir para um melhor conhecimento da realidade, tantas vezes ocultada ou exagerada.
Eu pessoalmente fiz alguma pesquisa sobre alguns indicadores relativos ao estado de Portugal e das tendências de comportamento dos portugueses para fazer face à crise que gostaria de partilhar com os nossos leitores:
No que diz respeito à conjuntura ecónomica é de realçar que:
– Em Janeiro de 2012 a inflação se cifrou em +3,4%, isto é, o preço dos bens e serviços ficou mais caro, embora a tendência seja de redução da inflação no ultimo semestre.
– O produto interno bruto (PIB) caiu -2,8% no 4º trimestre de 2011, o que significa uma redução da actividade económica;
– O número de pessoas no desemprego já ultrapassa os 770 mil e apenas cerca de metade recebe o subsídio de desemprego, o que indicia maiores dificuldades para aqueles que não têm qualquer fonte de subsistência.
– Existem também cada vez mais pessoas e receber apoio social, quer pelo Estado quer por organizações não governamentais, mas também existem cada vez mais pessoas a ajudar, nomeadamente para o “banco alimentar”, onde os alimentos recebidos pela instituição cresceram 15% no último ano.
– Os empréstimos para habitação têm vindo a cair ao longo do ano de 2011 e as taxas de juro para estes empréstimos continuam a subir para cerca de 4,5% em média, apesar da Euribor a seis meses apresentar uma tendência de descida, estando actualmente em cerca de 1,4%. Aqui nota-se a retracção por parte dos bancos em relação a emprestar dinheiro para este tipo de necessidade.
– Relativamente aos indicadores de confiança, vemos que tanto os consumidores, como a indústria apresentam valores de confiança em mínimos históricos, devido à incerteza quanto à evolução da economia do país. No sector da construção falamos de níveis de -70% em Fevereiros de 2012.
No tema da endividamente dos particulares é importante referir que já existem cerca de 670 mil pessoas com empréstimos em incumprimento em todo o país, em que a maior percentagem de incumprimento é no nosso Alentejo, com cerca de 4,1% quando a média nacional é de 3,7%.
No que diz respeito à forma como as famílias gerem as suas finanças pessoais, nota-se que as pessoas continuam a dar prioridade aos bens alimentares e de higiene em deterimento dos bens duradouros, que caíram no último ano cerca de 30%. Entenda-se por bens duradouros aqueles cuja utilização se pode estender por um período elevado, como os automóveis, que caíram cerca de 48% no último ano, mobiliário, equipamento áudio-visual, etc.
Neste mesmo ponto é perceptível que as famílias continuam a dar preferência aos bens alimentares, como o leite, os iogurtes, a carne e o peixe, e à higiene, como era de esperar.
Recomendo vivamente que quando tiverem tempo, façam uma pesquisa sobre estes e outros indicadores que este novo portal nos oferece como forma de estarmos mais conscientes da situação actual do país e consequentemente podermos tomar medidas que nos permitam reduzir o impacto na nossa vida.
Antes de me despedir, quero deixar uma palavra de esperança a todos que são agora mais afectados pela crise e pedir-lhes que não desistam e que sejam criativos no desenvolvimento do seu próprio posto de trabalho, através da implementação de novas empresas. E que também sejam solidários com os outros, para que todos em conjunto possamos ajudar Portugal a sair desta situação.

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