Cães e religião

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

André Cláudio

veterinário

Muitas religiões têm tido uma relação de amor ódio com o cão. Enquanto algumas religiões consideram o cão um animal impuro, outras entendem-nos como criaturas nobres, amigos, trabalhadores e até inocentes. Em algumas escrituras sagradas os cães estão muito associados com a morte e o Além. Algumas culturas acreditaram até que os cães possuíam um sentido privilegiado da morte e que os seus latidos podiam alertar ou até afastar a morte.
A questão sobre se o cães possuem alma foi algo que as religiões recentes afastaram, concluindo, na sua generalidade, que não. No entanto, muitas culturas antigas, como a Egípcia, acreditavam que os cães possuíam alma e manifestaram esta crença, enterrando os cães com os seus proprietários, tanto para protecção, como para companhia na vida após a morte.
Historicamente, os cães vestiram a capa quer do Bem quer do Mal, sendo a sua presença associada a sinais quer dum quer doutro. Em algumas religiões eram considerados como discípulos de Satã enquanto em outras eram vistos como mensageiros de Deus ou mesmo deuses eles próprios.

<b>Os cães e o Islão. </b>Os cães são considerados tão impuros pelo Islão que a maioria dos fundamentalistas desta religião crê que só o facto de tocar num cão requer uma purificação ritual. Uma taça em que um cão comeu não pode ser utilizada até que tenha sido lavada sete vezes e depois esfregada com terra.
É importante salientar que, embora os cães sejam considerados impuros, o profeta Maomé optou por não exterminar todos os cães por duas razões: porque se Alá os criou, só Alá os pode destruir e pela sua utilidade na caça e pastoreio.
Também parece que o próprio Maomé terá tido um cão para a caça. Ordenou no entanto, que se matassem todos os cães pretos com uma marca branca sobre os olhos, pois acreditava que se tratava de uma marca do Diabo.
Numa escritura islâmica, um homem muçulmano abebera um cão sedento, sendo depois acusado por um companheiro seu, a Maomé, alegando que está agora impuro, pois tocou um cão. Maomé terá alegado que o primeiro seria um melhor muçulmano pois havia demonstrado compaixão e amor pelos animais.

<b>Os cães e o Cristianismo. </b>Embora existam algumas descrições negativas dos cães na Cristandade, esta é a mais tolerante das maiores religiões. Um grande número de cristãos crê que os pastores que foram ver o menino Jesus traziam consigo cães e por isso são muitas vezes retratados em cenas da Natividade. Muitos santos são também retratados com companhias caninas, sendo tema recorrente o facto de serem mensageiros de Deus e de conduzirem os santos para a segurança e testando a sua lealdade. Existem alguns livros de teologia que abordam a relação homem-cão, sendo unânimes em encontrar a graça de Deus em inúmeras histórias que cada cristão terá para partilhar passadas entre si e o seu cão.

<b>Os cães e o Judaísmo. </b>No Judaísmo os cães são considerados impuros. Na altura da escrita da Tora, os cães são descritos como deambulando em matilhas, revirando o lixo e comendo cadáveres humanos, sendo pois vistos como fonte de doenças e perigosos. De lembrar que na tradição judaica, os cães não são assim tão mal vistos pois fizeram silêncio quando os israelitas iniciaram a sua fuga do Egipto e o Talmude diz que os judeus devem “tolerar” os cães. O Talmude fala também dos cães como criaturas fiéis aos seus proprietários e relata a oferta de um cão por Deus a Caim como protecção.

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