Carta aberta aos socialistas

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hélder Guerreiro

“A era das maiorias absolutas acabou. E isso é positivo… o PS tem um caminho ideológico e político para percorrer: quer ser um partido de esquerda moderna, de esquerda liberal à Blair, de esquerda nórdica, ou quer manter a âncora no velho socialismo? Ou seja, estas eleições podem ser o início de uma mudança histórica no partido central da nossa esquerda.”
Henrique Raposo

Nunca gostei e provavelmente nunca virei a gostar das crónicas do Henrique Raposo, no entanto não é difícil aceitar estas transcrições, aliás, para mim pessoalmente é até desejável que a “era das maiorias absolutas” tenha efectivamente terminado, porque sou adepto ferrenho da diversidade/pluralismo e da co-responsabilidade.
A parte do “início de uma mudança histórica no partido central da nossa esquerda” é bastante interessante e até o motivo pelo qual escrevo este artigo de opinião. José Sócrates disse algures no tempo que o mundo mudou, tem razão. No dia 5 de Junho o País mudou e hoje o PS, por imperativo da saída de José Sócrates, deve mudar o que não é só escolher uma nova liderança, nem, necessariamente refundar-se (nem oito nem oitenta), vamos às razões:
O PS deve olhar para esta nova classe média jovem que usa indiscriminadamente o serviço nacional de saúde e o médico particular (tem seguro de saúde), tem planos de poupança reforma e desconta para o sistema nacional de pensões, tem os filhos em amas ou em infantários particulares (onde paga) e que depois transitam para a escola publica ou mantêm-se no privado. Esta é uma nova classe média jovem que questiona a lógica redistributiva e obrigatória das contribuições para as Políticas Sociais, que quer descontar para seu benefício individual;
O PS deve olhar para a Europa e perceber o ideário Europeu que se desmorona perante o mundo, os nacionalismos e a intolerância à diferença que emergem novamente, o Modelo Social Europeu que implode por vontade de todos. Esta Europa sem líderes e sem ideal que se arrasta no meio de um turbilhão mundial de mudanças perde espaço, perde influência e parece deixar de ser o velho garante de prosperidade, de construção do progresso com regras e com a tranquilidade dos muitos anos de experimentação e reflexão, com ideal, com espírito.
Neste contexto Nacional e Europeu o PS deve mudar, essencialmente para poder pensar qual é o seu papel e, mais importante do que isso, qual é o seu contributo nos desafios de hoje (não é de amanhã). Temos que ser todos os socialistas e contribuir participando, provocando e alimentando esta discussão, não é só participando e votando numa campanha interna, é sermos capazes de extrapolar esta discussão para fora do partido, sermos capazes de implicar todos os Portugueses nesta reflexão, sermos capazes de ganhar o país para que este reencontre nos seus principais atributos como comunidade a solidariedade, a dignidade e a permanente capacidade de se reinventar.
A resposta está numa esquerda progressista, de valores democráticos sólidos que defina um estado sustentável, regulador e, fundamentalmente, solidário. É neste contexto que precisamos de um líder que não poupe esforços na construção de um envolvimento coerente de todos para a definição de um “novo” PS, por tudo isso estarei com o António José Seguro.

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