Aviso sério

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Pulido Valente

1. Apelo ao primeiro-ministro e ao Presidente da República: não abandonem o Alentejo!
O Alentejo já foi, em tempos, apelidado de “celeiro da nação”. Hernâni Lopes chamava-lhe a “grande ogiva do Sul”, pelo potencial de desenvolvimento ainda por aproveitar que a região encerra.
Nos últimos anos projectos estruturantes para o desenvolvimento do país localizados na região, adiados durante décadas, foram finalmente lançados no terreno. O porto de Sines, o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva e o aeroporto de Beja são hoje uma realidade que alterou e continua a alterar a paisagem, a estrutura sócio-económica e as condições de vida das populações.
Na verdade, são profundas, diversificadas e muito positivas as transformações que se operaram neste território e os resultados obtidos são altamente benéficos para a região e também para o país.
O momento presente é crucial em todo este projecto do Alqueva, dado que a última fase de construção do empreendimento abrange precisamente os melhores solos do Alentejo, localizados, nomeadamente e principalmente, no concelho de Beja.
Para além disso, grandes investimentos foram já realizados na perspectiva/promessa de que a água de Alqueva chegaria o mais tardar em 2015. As plantações efectuadas dificilmente sobreviverão sem a água que os sistemas provisórios montados serão incapazes de fornecer em anos de seca como o presente.
Também os promotores de novos projectos agrícolas e agro-industriais, de vinha, olival e pomar, vitais para a economia e o emprego regional e nacional, suspenderam os seus planos de investimento, enquanto a situação não for devidamente clarificada pelo Governo.
Por estes motivos, travar, nesta altura, este processo é uma verdadeira irresponsabilidade que poderá transformar a realização de um sonho de décadas num verdadeiro pesadelo. Com efeito, é precisamente no momento decisivo da viragem, em que a região começa a sentir efectivamente os efeitos positivos do investimento do projecto estruturante de Alqueva na criação de emprego e riqueza, que se pretende desistir de todo o processo.
Num país que precisa cada vez mais e urgentemente de uma agricultura sólida, dinâmica, moderna, com uma componente forte de inovação e competitividade para crescer nas exportações, é impensável e inadmissível que se abandone um projecto que depois de estudado, estruturado e programado durante décadas, foi finalmente concretizado e apresenta hoje os resultados benéficos inicialmente previstos.
Sr. primeiro-ministro, sr. Presidente da República não abandonem o Alqueva, não abandonem o Alentejo! Nem os alentejanos, nem os portugueses vos perdoarão tamanho erro!

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