Atendimento

Sexta-feira, 31 Março, 2023

Vitor Encarnação

Escritor

É usual que na nossa condição de clientes e utentes tenhamos uma necessidade quotidiana de dialogarmos com os profissionais que prestam o serviço de que nós necessitamos.
Seja numa repartição pública, num escritório privado, num hospital ou num café.
Se nas nossas relações pessoais podemos escolher com quem queremos interagir, nas relações profissionais ou institucionais essa escolha não é possível e não podemos determinar quem nos atende, quem nos recebe, quem de nós cuida.
Todos nós, em maior ou menor medida, já nos cruzámos com pessoas que vestem uma antipatia assim que entram ao serviço e que são absolutos donos do seu posto, do seu balcão, da sua secretária, do sistema, da sua agenda, do telefone que só atendem quando lhes apetece, pessoas que através da sua função tornam a vida dos outros mais difícil e cinicamente se aproveitam das suas fragilidades, das suas necessidades, do seu desconhecimento e que parece terem um prazer perverso em complicar todo o processo, como se o utente ou o cliente fossem lá só para chatear e dar trabalho.
São pessoas azedas e amuadas, muito importantes, muito altivas, a fazer fretes aos cidadãos.
Cada vez que me deparo com pessoas deste calibre lembro-me sempre da história da chave do palheiro.
E depois há outras pessoas nesses mesmos sítios onde vamos que são luz e esperança e alento.
Tudo na sua voz, na disponibilidade e na atitude nos ajuda a entender, a ter esperança, a suportar, a resolver.
Estas pessoas doces e amáveis não se vingam no cliente ou no utente, não descarregam as suas frustrações e os seus maus feitios em cima de quem com elas interage.
Não complicam, não são donas de nada, nem do seu posto, nem do balcão, nem da secretária, nem do sistema, nem da agenda, nem do telefone.
Estão ali não só para cumprirem nobremente a sua função profissional, mas também para contribuírem para uma harmonia social aplicando princípios e valores básicos de cidadania e sabem que o cliente ou utente não são inimigos.
Ultimamente, talvez por sorte ou por, desejo meu, aprimoramento geracional, o que é um facto é que tenho tido algumas boas experiências.
Tenho sido esclarecido na dúvida, tenho sido ajudado a resolver assuntos, confortado no receio.
A simpatia de quem nos atende, de quem nos recebe ou de quem de nós cuida é uma coisa maravilhosa e quando uma relação que se estabelece é agradável e atenciosa, nós sentimo-nos mais dignos e mais humanos.

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