Aspirações superiores

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Serafim

contador de histórias

Confesso que me aborrece a falta de capacidade para antever a proximidade do futuro. A incapacidade para prever com a devida margem de erro, da necessidade de aplicar esforços no desenvolvimento de projectos que irão de encontro às aspirações ou às hipotéticas aspirações de uma região que teima em não passar da cepa torta. Vem isto a propósito pelo facto de se projectar para esta terra um triângulo dourado, porto de Sines-Alqueva-Aeroporto, que me está a parecer mais quadrado do que outra coisa qualquer. Pretendo com isto dizer que não tem sentido construir sonhos desta envergadura sem pensar que tudo isto será possível de realizar, sem uma contínua aposta na formação de mão-de-obra qualificada. E chegando a este ponto é obrigatório que o tal ambicionado triângulo comece (quanto a mim já com algum atraso) urgentemente a mudar a sua forma geométrica e considere o ensino secundário, o ensino técnico-profissional, o ensino superior como o outro vértice que permitirá que o sonho se concretize e se perpetue pela mão das instituições governamentais e locais. Sejamos claros, falam-se de triângulos dourados, prateados, bronzeados, queimados, esturrados, mas raras vezes houve ou há uma palavra de referência para o papel que o ensino, em particular o técnicoprofissional e o superior, poderão desempenhar na aplicação e desenvolvimento de tais medidas. Descurar o contributo das instituições da área da educação e do ensino é meio caminho andado para que a desertificação humana continue a olhos vistos. Porque afinal se a mão-de-obra especializada não existir por estas bandas, é natural que a tenham que recolher a outras paragens. Já isto aconteceu na construção da barragem de Alqueva. Prometia-se, lutava-se, apregoava-se que com a construção deste mar entaipado haveria emprego para toda a espécie local… E afinal quem tem unhas é que toca viola e pelos vistos aqui o toque foi só de língua. Deu-se muito à tramela e muito menos ao pensamento. Saúda-se e com bastante agrado, embora, volto a frisar já com algum atraso, os cursos na área da a Aeronáutica que a escola D. Manuel I e o Instituto Politécnico de Beja têm programado entrar em funcionamento já para o próximo ano lectivo. Claro está que, nos dias de hoje, nos dias da sociedade multimédia, nos dias da aldeia global, o próprio ensino terá que se repensar e projectar-se intervir nas lacunas que o mercado de trabalho apresenta. Mas não só, tem que antever a estagnação, prever as dificuldades e responder inovando e apontando novos caminhos. É para isso que existe!

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