As famílias, os amigos e o diálogo entre gerações

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

José Carlos Albino

consultor

Este artigo que aborda, para mim, uma questão crucial para as nossas vidas, nasceu duma conversa com uma amiga com quem já não conversava há uns tempos e espero que provoque reflexões e respostas.
Indo directamente ao assunto. Parece-me claro que hoje o convívio informal entre as pessoas, fora do circuito familiar e mesmo no seu seio, vem diminuindo anos a anos, de tal forma que hoje é uma excepção à regra.
Refira-se que esta realidade é mais forte no género feminino, particularmente nos pós-
-trinta anos e, ainda talvez surpreendentemente, atravessa cidades grandes e pequenas, vilas e aldeias.
Antes de entrar em exemplos que ilustram o que acabei de afirmar, vou tentar explicar porque é que acho que estamos perante um assunto/problema que é fundamental para a nossa qualidade de vida e, por isso, crucial para o nosso futuro. Vamos a isso!
A vida comunitária ou, na linguagem actual, a sociabilidade entre pessoas próximas por via da amizade, da vizinhança, do trabalho, de proximidade de ideias e sonhos, está provado cientificamente (ciências sociais) que é um elemento indispensável ao bem-estar das Pessoas, pois doutra forma a sociedade, a cultura e a economia ficariam seriamente ameaçadas, pois sem comunicação alargada as Pessoas correm fortemente o risco de sofrer de doenças do foro psicológico e psiquiátrico, quer individual como socialmente.
Não acham que esta questão REAL não é motivadora de preocupações, conversas e debates entre TODOS e nas mais variadas formas – círculo de amigos, relações extra-trabalho, familiar de várias gerações, culturais ou políticas – e entre territórios???
Eu não tenho quaisquer dúvidas! Mas vamos tentar exemplificar o que se passa nos tempos de hoje através de situações concretas e conhecidas:
• Os casais jovens/adultos, já com filhos e na casa dos trinta, na sua esmagadora maioria, vive “do trabalho para casa” e muito poucas vezes têm espaços e tempos para estar com os seus amigos; de referir que a situação é mais numerosa em Pessoas do Género Feminino, sem esquecer o fenómeno da “solidão a só”.
• Os casais já entrados nos quarenta/cinquenta anos começam a ter uma vida maioritariamente caseira e a maior parte das vezes com poucas relações com filhos, noras e principalmente amigos, embora, talvez, com regularidade a tomar conta dos netos (mais forte nos casais dos sessenta…).
• As crianças e os jovens que vão constituindo os seus grupos de amigos junto de colegas de escola, de bairro ou de vila/aldeia, após os dez/quinze anos começam a quase deixar de ter relação com os adultos/”Velhos”, quer ao nível da família, como dos amigos dos pais e dos avós; ou seja, as relações inter-geracionais são reduzidas ao mínimo e a situações formais e de rotina.
• Último exemplo – as “tertúlias” e as “rodas de amigos” só acontecem com data marcada e de tempos a tempos, o que leva a que as Pessoas cada vez mais conversem e reflictam em circuito fechado, quase perdendo as formas de socializar e trocar conhecimentos.
Haveria outros exemplos e excepções ao referido a preto e branco, mas será que não estão de acordo com estas situações-tipo enquanto expressão das nossas realidades sociais, em muito influenciadas pelas TVs???
Eu, pelo meu lado, tenho feito, faço e espero fazer mais em prol de relações sociais regulares, informais, formais, inter-classes/grupos sociais e nos domínios do inter-conhecimento, da inter-geracionalidade, da inter-territorialidade (cidades, vilas e aldeias) e político (antes sem e hoje com Partido e amigos). Não vou desistir! E você, meu caro leitor?

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