Ali… Além-Tejo

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Luís Filipe Figueira

CAÇA NA 4ª REGIÃO CINEGÉTICA EM RISCO

Ainda bem que fizemos o nosso convívio do Portal de Santo Huberto no Campo de Treino do Monte da Vinha, no dia 12 de Maio, pois devido ao avanço rápido da desertificação, mais oito dias e já não teríamos ido a tempo. Pois toda a margem sul do Tejo foi transformada num imenso deserto, só se salvando o “Allgarve”, esse oásis, para que os nossos políticos possam passar férias e a margem norte do Tejo por interesses económicos.
Pois caros caçadores, a próxima época cinegética encontra-se bastante comprometida nesta zona que nós temos divulgado como destino turístico e de lazer na área do turismo de ar livre (de natureza, de aventura, rural e cinegético) pois veio de lá um sr. ministro e estragou tudo. Dizer que não há hotéis e hospitais na margem sul!…Digam-me quem é que vem para aqui sabendo que pode estar sujeito a ter que dormir ao relento, ou se tiver uma doença súbita não há hospitais, vendo assim a resolução do seu mal em risco de não ser resolvida. Nós, os das tribos do deserto, temos conseguido sobreviver com isso, mesmo vendo os nossos serviços de saúde irem encerrando. Há sempre uma mezinha caseira. Não, desculpem, tendeira porque nós vivemos em tendas. Não há escolas porque os nossos políticos as têm fechado, e depois abrem como Centro Culturais (tascas), ao menos assim não caiem, pois têm quem as cuide.
A situação está de tal forma que, na quarta região cinegética, todo o seu património agrícola e florestal foi substituído por um imenso areal, não se avistam quaisquer seres vivos em toda esta região. Apenas alguns dromedários e camelos que teimam em ficar por aqui, algumas cascavéis vindas directamente do Parlamento, às inaugurações dos templos faraónicos e aos festivais islâmicos e algumas tribos do deserto que vão por aqui deambulando.
Nos últimos dias, as tempestades de areia (para os nossos olhos) têm sido de tal forma, que quase não nos vemos uns aos outros, a fim de tentarmos reagir às barbaridades vindas dos nossos desgovernantes.
Para aqueles que teimarem em vir à caça para o Ali-Além-Tejo (designação para a promoção do Alentejo no estrangeiro) na próxima época cinegética deixo aqui alguns conselhos:
após passarem o Tejo deverão baixar a pressão dos pneus, fundamental para a circulação nas dunas;
deverão trazer tendas para aqueles que pretenderem pernoitar no deserto;
estojo de primeiros socorros, indispensável o antídoto contra picadas de cascavel, que elas andam por cá, muito escondidas, mas andam nos oásis dos Sultões amigos, os famosos Projectos de Interesse Nacional (PIN);
água, muita água;
alguns bens de primeira necessidade, de preferência conservas, enlatados e devidamente embalados, de forma a não precisarem de frio;
logo que terminem a vossa estadia por terras de Ali-Além-Tejo, deverão regressar o mais depressa possível, pois há o risco da Al-Santoeda (célula da Al-Qaeda) fazer explodir todas as pontes e assim ficarem privados de regressar para junto das vossas famílias.
As tropas americanas, já por cá andam a defender o território dos terroristas. Os pontos estratégicos são os poços de petróleo. Os locais onde se podem observar estes militares, que ainda não perceberam que neste deserto não há petróleo, são junto às antenas de telemóveis, moinhos de água e imagine-se, no Campo de Treino de Caça do Monte da Vinha. Junto ao “Dispositivo Elevatório de Aves para Largadas Cinegéticas em Terreno Plano”, estão cerca de 1.500 militares.
Os espanhóis, com interesses económicos nesta região, já têm também um forte dispositivo militar junto há Barragem de Alqueva para defender este reservatório de água, da ameaça terrorista. Pois será a partir desta que os seus olivais serão regados (gente doida, a plantar oliveiras no deserto).
Aguarda-se a chegada de um forte reforço militar vindo da China – mas só quando o Aeroporto de Beja estiver pronto – para a defesa das criações de “Lagartos do Deserto” (animal criado em parques próprios, antigos parques de criação da Perdiz Vermelha), para a produção da famosa aguardente chinesa e também para defender as 15.000 lojas chinesas existentes nos pequenos oásis deste deserto.
O Ministério das Obras Públicas desistiu, de uma vez por todas, do IP 8, pois devido às constantes movimentações das dunas, pela acção dos ventos e após vários estudos, chegou à conclusão que não era uma obra prioritária. A circulação será feita apenas em veículos 4×4, dromedários e camelos. Já há cientistas a tentarem adaptar o reservatório de água dos camelos e dromedários para transporte de combustível, visto que os camiões cisterna não vão poder circular entre Sines e Espanha.
A A2, após vários estudos de arquitectos da margem norte, será elevada cerca de 50 metros em toda a sua extensão, ou seja, desde a Ponte 25 de Abril até ao nó de Ferreiras, para que o trânsito não sofra atrasos devido às tempestades de areia e à deslocação das dunas e de forma a ficar ao mesmo nível do aeroporto da Ota.
A refinaria de Sines vai mesmo para a frente, ou seja, para cima. Estão a fazer-se estudos para que seja deslocada para uma zona entre Lisboa e o Porto, pois espera-se que os 500.000 desempregados estejam todos na margem norte, já que na margem sul não há ninguém e assim resolver o problema do desemprego.
O Lisboa-Dakar vai passar a Lisboa-Barrancos e assim será feito integralmente em terras lusas.
Como vêem, com gente desta a governar-nos não precisamos de inimigos. Eles já cá estão. E também não precisamos de nenhum partido político que defenda caçadores, pescadores e gentes da terra e do interior, porque quando lá estão acabam sempre por mostrar a falta de respeito que têm por quem lá os pôs (não falo por mim desta vez, mas já cometi alguns erros).
Mas eu continuo na minha, o homem abusou do “pitrol” da Vidigueira. É a única forma de nós, alentejanos, compreendermos a confusão daquela cabeça.

Um forte abraço a todos aqueles que vivem e sentem o Alentejo como eu!

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