“Alentejos” a voar…

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

António José Brito

director do correio alentejo

Sou a favor da regionalização. E defendo, desde há muitos anos, a criação de uma região do Baixo Alentejo. Infelizmente, por desmazelo daqueles que não foram votar e, democraticamente, por vontade de quem depositou o seu voto nas urnas, esta reforma foi “chumbada” há 10 anos, adiando uma mudança que, acredito sinceramente, poderia ter transformado muita coisa em Portugal.
Hoje, vivemos num país que quase “desaba” para o mar! Um país que concentra nas grandes cidades do litoral a sua população e, por via disso, uma maior capacidade de gerar riqueza e… pobreza. Temos um Portugal desequilibrado, a caminhar para um estrangulamento social que irá ter custos muito altos.
Havendo um poder intermédio, com competências e meios, tudo poderia ser diferente na execução de políticas de desenvolvimento adequadas e eficazes para fixar as pessoas, dinamizar o tecido económico, potenciar oportunidades e agir com uma proximidade que hoje não existe. E com tudo isto, o interior não estaria abandonado como está.
Alguns “velhos do Restelo” contrapõem dizendo que seria criado um quadro de caciquismo e compadrio, semelhante ao que se vive na Madeira. Acredito que não estaríamos a salvo desse risco, mas estou convicto que não podemos tomar essa ideia como regra para impedir um ror de tantas vantagens. E basta percebermos o que há muito tempo acontece aqui ao lado, na vizinha Espanha, onde as regiões autónomas actuam com poderes e meios que lhes permitem desenvolver políticas eficazes, com os resultados que estão à vista na Andaluzia e na Extremadura, que apesar de estarem no interior e serem mais pobres, são de muito longe um exemplo de tudo aquilo que poderia ser feito em Portugal.
Sejamos, portanto, habilidosos e competentes para desenhar a estratégia que possa provocar a mudança. E isso começa pela vitória do “sim” no referendo. Para isso, evitemos questiúnculas menores, assentes em velhos dogmas políticos. Sejamos pragmáticos e não tenhamos receio de entender que “mais vale um pássaro na mão do que dois ‘Alentejos’ a voar!”

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