Agricultura e futuro

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Mário Simões

A Distrital de Beja do PSD realiza esta sexta-feira, 18, uma reunião temática sobre agricultura com a presença do vice-presidente do PSD, Jorge Moreira da Silva, na Herdade da Malhadinha Nova.
Esta é mais uma iniciativa que atesta bem a importância que conferimos a este importante sector de actividade, fundamental para a dinâmica da economia regional.
Nos dias que correm, falar de agricultura é falar de Alqueva. O maior investimento público neste momento em Portugal. Dois terços dos blocos de rega estão prontos a ser cultivados. No entanto, estamos confrontados com a incapacidade da região em conseguir aproveitar as mais-valias oferecidas pelo regadio. É com perplexidade que nos deparamos com a falta know how e capacidade de investimento por parte dos agricultores alentejanos.
E só agora é que se descobre esta dolorosa verdade?
Desde o ano 2000 que vários especialistas vêm chamando a atenção para a necessidade de investir no conhecimento, na valorização profissional e no rejuvenescimento dos agricultores. Sabe-se que 85 por cento dos agricultores têm apenas a antiga quarta classe e destes quase 50% tem mais de 65 anos. Jovens agricultores são apenas 2%.
Com estes dados o que dizer? Que estamos naturalmente apreensivos quanto ao futuro da componente agrícola e da própria EDIA, sobretudo porque se sabe que, por força dos compromisso bancários a que está obrigada a dar cumprimento a breve trecho, a sua estratégia agrícola pode estar comprometida.
Já para não falar de outra questão pertinente que é a dos contratos de exploração das centrais hidroeléctricas de Alqueva e Pedrógão por ajuste directo da EDIA à EDP. Ou seja, a cedência de exploração das centrais hidroeléctricas à EDP é um fortíssimo golpe na possibilidade de se poder cobrar tarifas de água competitivas aos agricultores. Basta atentar no facto de que a EDIA, quando teve a gestão das centrais obteve um resultado líquido de exploração “da ordem dos 25 milhões de euros”…
As dúvidas que o projecto está a suscitar no seio dos agricultores alentejanos fazem com que neste momento a questão de fundo seja saber o que é que vai acontecer quanto ao custo da água proveniente de Alqueva e como será feita a gestão da rede secundária.
Aqui chegados importa dizer que, afinal, a gestão socialista não acautelou o futuro de Alqueva. Continuamos a lidar com um conjunto de factores a que não tem sido dada resposta quando estão prontos mais de 60 mil hectares de novos regadios e se anuncia para final de 2012 a conclusão dos 110 mil hectares previstos no projecto de regadio do empreendimento de fins múltiplos de Alqueva.
E agora quem rega? É a pergunta que se coloca, sobretudo pelos agricultores que não estão tecnologicamente preparados e continuam a desconhecer que culturas podem ser regadas para além do olival e da vinha.
Onde está o trabalho de investigação? Reformulando a questão, quais as culturas, sistemas, métodos de rega e práticas agrícolas mais apropriadas para rentabilizar o empreendimento?
São de facto muitas interrogações, que não se esclarecem com a simpatia e ar bonacheirão de um ministro que prefere colocar “nas mãos dos outros o que fazer com Alqueva”, em vez de assumir a responsabilidade, nem sempre fácil mas muito nobre, de governar!

<b><i>Este texto continuará no próximo número.</i></b>

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