Afinal…

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Madeira

dirigente do PCP

Nos últimos dias, e depois de muita deturpação, caricatura e silenciamento, que não cessou, alguns comentadores da praça, encartados nas correntes de opinião, mesmo não o reconhecendo, vêm dar razão ao PCP e a propostas por si apresentadas e defendidas. Não deixando de saudar os que agora se aproximam dessas posições, alguns deles responsáveis pela situação a que chegámos, vejamos então os exemplos da renegociação da dívida e da produção nacional – aspectos centrais para tirar o nosso país do fosso para onde as políticas de PS, PSD e CDS dos últimos 35 anos o arrastaram.
No primeiro caso é pois justo recordar que foi o PCP a primeira força a propô-lo em 5 de Abril passado, considerando inadiável o caminho da renegociação da dívida pública portuguesa nos seus prazos, montantes e juros. Uma decisão inevitável, tanto mais útil quanto se realize antes do rasto de destruição que as “medidas de austeridade” provocam e nada resolverão, mas que as grandes potências da União Europeia querem adiar visando a alienação das dívidas de países como Portugal por parte da banca europeia. Uma decisão inadiável para cuja concretização o PCP apresentará no início dos trabalhos da Assembleia da República um projecto de resolução com esse objectivo e que envolve simultaneamente a intervenção do Estado português para uma acção convergente com outros países da União Europeia alvos da especulação, do impacto da moeda única e da rapina dos seus recursos e a diversificação das fontes de financiamento do país, incluindo uma maior captação de poupança nacional.
No segundo caso, e tal como foi lançado na acção “Portugal a Produzir” do PCP e na campanha eleitoral da CDU, a defesa da produção e do aparelho produtivo nacional continua a ser a mais sólida e consequente proposta para tirar o país do rumo de definhamento e retrocesso que o grande capital quer impor. Na indústria, na agricultura, nas pescas impõem-se medidas de substituição de importações por produção nacional, de planeamento económico, de forte investimento público, de reforço do sector empresarial do Estado, de accionamento de cláusulas de excepção que salvaguardem o aparelho produtivo e as micro e PME, de renegociação da Política Agrícola Comum e da Política Comum de Pescas, de controlo e diminuição dos custos dos factores de produção.
Estes são apenas dois exemplos de propostas concretas do PCP, e de que há alternativa ao rumo de desastre nacional a que as políticas de direita conduziram o país. Não precisamos de mais do mesmo, das mesmas receitas que estão na origem do problema. No actual quadro, a defesa da soberania e independência nacionais adquiriram uma importância decisiva, não apenas para assegurar o desenvolvimento independente e progressista de Portugal como para preservar o carácter democrático das instituições da República. A defesa da Constituição e a luta por uma política externa independente e por uma Europa dos trabalhadores e dos povos, é componente central da luta por uma política e um Governo patriótico e de esquerda. A luta vai continuar, na Assembleia da República, no local de trabalho, na rua!

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