Abril e comunicação

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

João Espinho

Festejamos o 25 de Abril, comemorando com alegria e orgulho o Dia da Liberdade. Celebramos, essencialmente, a Democracia. Jovem, de 35 anos, com um percurso de vida atribulado e com tropeções pelo meio, está hoje consolidada e nenhum de nós equaciona viver noutro regime que não aquele que nos permite falar, escrever, reunir, ser cidadão, eleger e ser eleito sem constrangimentos. Apesar das tentativas de apropriamento, o 25 de Abril é de todos os portugueses, estejam eles no Alentejo, nas ilhas ou num qualquer recanto do mundo. Permitam-me: Viva o 25 de Abril!
E comemoramos este 35º aniversário num ano especialmente recheado de actos eleitorais. Vamos eleger os nossos deputados – portugueses – para um Parlamento de uma Europa que, também ela, vai crescendo e amadurecendo, consolidando um percurso democrático, derrubados que estão alguns dos muros que separavam cidadãos e famílias e faziam do Velho Continente um território em permanente tensão. A Democracia é, para desgosto dos saudosistas de uma Europa dividida em blocos, um dos melhores bens pelo qual devemos lutar, exercendo-a diariamente, seja escrevendo livremente estas crónicas ou exercendo o direito de votar.
Neste ano vamos também eleger os deputados à Assembleia da República, numa eleição que ditará quem nos vai governar. Todas as críticas podem ser feitas aos sucessivos governos: que não temos melhor Educação, não temos melhor Justiça, não temos melhores serviços de saúde, não temos uma melhor administração pública. Haverá quem exaustivamente repita que não se cumpriu Abril. Prefiro estar assim, com o direito de escolher e penalizar em eleições quem não cumpre promessas, de criticar e apontar quem me iludiu, do que viver amordaçado por um Estado que, intitulando-se de “popular”, mais não faz que alimentar a opulência de meia dúzia de ditadores opressores.
A Educação está mal em Portugal? Pois está! Mas estará melhor num país comunista como a Coreia do Norte? A Saúde não presta no nosso país? É verdade! Mas alguém sabe como são prestados os serviços de saúde nos países onde não existe a liberdade de expressão? A Justiça é lenta e ineficiente neste território luso? Pois é! Mas que justiça haverá em países como Cuba e Venezuela? O rol de comparações seria extenso e maçador. Fico-me por aqui.
Também em 2009, ano em que comemoramos 35 anos de Democracia, vamos ser chamados a votar em novos autarcas, nos nossos representantes no Poder Local, intitulado como uma das grandes conquistas de Abril. São milhares de eleitos, desde assembleias de freguesia a executivos camarários, que darão voz à Democracia, uns mais aptos que outros, mas todos eles legitimados pelo voto.
Passadas estas três décadas e meia do 25 de Abril, muita coisa mudou entretanto. O mundo não é o mesmo e, comparado com 1974, parece que a Revolução passou por todo o globo. E passou!
Hoje estou a comunicar com os leitores desta crónica de uma forma muito diferente. Podem-me ler na folha do jornal, têm a possibilidade de ler esta crónica na edição online do Correio Alentejo e também no blogue Praça da República de que sou editor. Mas eu também vou levar esta crónica para algumas das novas redes sociais. Twitter, Facebook, Myspace, Hi5! Com tempo lia esta crónica para uma câmara e colocava-a no YouTube.
Modernices?
Não, caro leitor.
São as novas ferramentas da comunicação.
Aqui, no Alentejo, em ano de eleições, algumas candidaturas irão comunicar com os eleitores através destes novos instrumentos. A maior parte, porém, continuará a utilizar o papel-lixo, com brindes de canetas, t-shirts e chapéus de mau gosto. Outros criarão blogues onde a fotografia do candidato se irá sobrepor às propostas e às ideias. Há, também, quem prefira nem saber da web, essa coisa terrível onde tudo é possível e admitido. Há-os, igualmente, aqueles que criarão sites com os seus programas eleitorais mas, após eleitos, decidirão apagar os rastos, não vá alguém no final do mandato, comparar o prometido com a obra feita (a CDU apagou todos os seus sites das Autárquicas 2005).
No mundo rural onde vivemos, pode parecer arrojada a iniciativa que vou levar a cabo no próximo dia 1 de Maio, no auditório da ExpoBeja. Falar e debater as eleições de 2009 e o papel da web nestes actos eleitorais. Coisa que deverá interessar a candidatos, partidos, comunicação social, cidadãos. Porque não vamos falar de novas tecnologias. Vamos falar de formas de comunicação. É mais uma das conquistas de Abril – a vontade que temos em exercer a cidadania que a Democracia nos oferece.

<b>Nota: </b><i>Vem aí a Ovibeja e com ela o único evento que coloca a cidade de Beja no calendário e no mapa daquilo que é importante. Durante estes dias seremos a capital. Do Sul. Da vontade de continuarmos a existir. </i>

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