A Selecção portuguesa de brasileiros

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Carlos Monteverde

Há algum tempo atrás, <i>seu </i>Deco, um dos muitos brasileiros a ganhar a vida no futebol, foi ficando farto de não ser seleccionado para o escrete canarinho. E então, de repente, deu-lhe uma de portugalidade, naturalizou-se português e começou a jogar na selecção portuguesa. Na mesma altura até foi viver para Barcelona, que o patriotismo destes rapazes costuma estar muito ligado aos cifrões. E nem a paixão pela sua nova pátria o impediu de sair de Portugal, quando lhe deram a nacionalidade.
Nenhum dos nossos três jornais diários de desporto nos informou se o sr. Deco deixou alguma bandeirinha portuguesa nas janelas, enquanto emigrante por terras da Catalunha, para onde foi como tantos portugueses, procurar melhores condições de vida. Ele que já tinha vindo do Brasil.
Aliás, diga-se que isto da dupla nacionalidade é perfeitamente legal, o sr. Scolari também achou tudo “légau”. Aquele senhor federativo que tem um cabelo cor de cenoura, também ”disse que”, naquela forma clara como se costuma exprimir. Como dizemos nós, os que vamos votar de vez em quando, estava o baile armado.
E como correu tudo tão bem e de forma tão “naturau”, agora é o <i>seu </i>Pepe que também se naturalizou. Já foi dizer ao seu Scolari que ouviu um chamado patriótico e quer jogar de “Quinas” ao peito. Quem olhar bem para este jovem, vê logo que nasceu ali para os lados de Bragança ou Mirandela. À espreita estão o Derlei, o Liedson, o Polga, o Anderson, o Adriano, o Ronny, e eu sei lá. Como diria o Zeca Afonso, “venham mais cinco”, ou talvez mais vinte, e vão pondo a bandeirinha na janela como pede o seu Scolari.
Poderão dizer alguns leitores que isto é xenofobia, mas de facto não tem nada a ver com isso. Não nos façam é passar por parvos neste país onde continua a valer tudo. Desde os habituais gestores que continuam a definir os seus salários e regalias principescas, com demissões e indemnizações milionárias, e que façam o que fizerem numa empresa pública, logo arranjam outra para continuar a delapidar o erário público sem vergonha nem desfaçatez. E principalmente sem ter de prestar contas a ninguém. Até estes senhores de cabelo cor de cenoura, que fizeram dez estádios de futebol num país pobre e endividado, que nós vamos ter de pagar durante muitos anos, enquanto eles dizem que a Selecção dá lucro para pagar os salários imorais do seleccionador e de tantos parasitas do nosso futebol. Ah, e para pagar os prémios de jogo que o senhor do cabelo cor de cenoura acha que devem ser isentos de IRS, o que dava um jeitão aos Figos e companhia.
Milão, que é uma capital financeira e das modas europeias, construiu um único estádio para o Inter e o Milão. Nós, que demos mundos ao mundo e pelos vistos continuamos a dar, fizemos dois estádios vizinhos na 2ª circular em Lisboa, não fossem as massas associativas do Sporting e Benfica ficar deprimidas, e andar à <i>porrada </i>com justa causa.
Veremos se num futuro próximo os jovens futebolistas das escolas do Benfica, Sporting, Porto, Leixões, etc, vão ter lugar na nossa selecção de futebol, ou se esta já será uma espécie de selecção B do Brasil, formada pelos <i>caras </i>que jogam em Portugal, não têm lugar na selecção canarinha, e descobrem como o sr. Scolari, que neste país pobre como os desertos, há tantos oásis para explorar.
Tenhamos também esperança que o esclarecimento dos apitos dourados, faça desaparecer os senhores acenourados da nossa vida pública desportiva, e que os portugueses que gostam de futebol, voltem aos estádios, para vermos os nossos artistas da bola, e que os melhores seja chamados à selecção. E que seja para eles uma honra vestir a camisola das quinas, para esquecermos as afrontas dos Figos e Pauletas, que invertendo a hierarquia dos valores, decidiram eles próprios, que não jogavam mais pela selecção. Que era uma chatice voltar a fazê-lo. Com honra de abertura dos telejornais.

<b>2. </b>Tomei aqui posição pública pelo “sim” ao Aborto no recente referendo. Disse então que o extremar de posições tornou difícil um debate pedagógico e esclarecedor. Felizmente e mais uma vez, a maioria dos portugueses mostrou uma maturidade, que faltou nalguns casos a uns quantos defensores do “não”. Refiro-me principalmente à demagogia destes, como arautos da defesa da vida. Relembremos que desde o primeiro referendo, nada fizeram no combate ao aborto clandestino e muito menos defenderam causas sociais, que permitissem a todas as mulheres ter os seus filhos com dignidade e, de facto, com direito à vida. Os Talibans também destruíram os “Budas de Biamiane” em nome da sua cultura, fazendo desaparecer sem retorno, ícones culturais de muito maior dimensão.
Espero por isso que aqueles que apoiaram o “sim”, mostrem agora com uma nova legislação, com o bom senso que tem de imperar em matéria tão delicada, e fundamentalmente com a progressiva melhoria do apoio social às nossas mulheres e aos casais, que a taxa de natalidade pode crescer em Portugal, com filhos desejados pelas mães, e com crianças que voltem a encher as escolas
Compete pelo nosso comportamento a curto prazo e pelas responsabilidades que assumimos, demonstrar que somos nós, os defensores do “sim”, quem de facto defende o direito à vida.

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