A LiLi Caneças e a oposição ao PS

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Carlos Monteverde

Li há pouco tempo numa revista cor-de–rosa que a Lili Caneças está farta deste país e vai viver para Nova York. Só faço votos para que não mude de ideias e que melhore o seu horroroso visual quando arranjar lugar na agenda para ser recebida na Casa Branca. Como prenda para o casal Bush, sugiro que leve umas alheiras de Mirandela, para não destoar do pacote global.
Pode parecer que estou a brincar mas não estou. Para quem não leu, a notícia é mesmo verdade e pior, foi publicada. Mas com as vendas do Pepe para o Real Madrid, do Nani para o Manchester e do Sabrosa para o Atlético de Madrid, tivemos abertura para os telejornais durante semanas e a notícia passou despercebida para muitos. E foi pena, porque esta Caneças representa que nem uma luva a oposição ao PS. Juntemos o Marques Mendes, o “Paulinho” Portas e o sr. Jerónimo Sousa e sai uma Lili no seu pior. O “Paulinho” com as eleições de Lisboa ficou a perceber que já ninguém lhe liga neste país, que tem mais que fazer que dar importância ao menino do Jaguar, dos negócios da Moderna e do seu grupo de amigos, que podem ter muitos empregos cada um, mas não têm é quem lhes ligue. E vamos aguardar o que deram as suas amizades com o sr. Rumsfeld, mais os negócios das fragatas e submarinos com os consórcios franceses, holandeses e americanos. A caminho do mesmo vai o sr. Jerónimo, que ainda não reparou que por muito menos os partidos comunistas da Europa mais desenvolvida se transformaram em partidos residuais. Então esta de na noite da derrota eleitoral da direita em Lisboa, o cavalheiro vir vociferar contra o PS, que até ganhou, deitando areia para os mais de dois pontos percentuais que o seu partido baixou, não lembrava ao Alberto João que até usa os mesmos métodos, embora depois das refeições.
Mas o mais grave e triste para o país, é a evolução do sr. Marques Mendes como principal chefe da oposição. Depois de ter tido a dignidade de não ceder nas Autárquicas ao Major Valentim e ao sr. Isaltino, e de mesmo assim, ou talvez por isso, ter ganho as eleições, vem agora depois do fiasco do Sr. negrão em Lisboa provocar pseudo-eleições para líder do seu partido com dados viciados à partida, na esteira de um pequeno ditador, já que não tem tamanho para mais. Pior, depois de ter sido saneado da comédia anual do Chão da Lagoa no ano passado, sujeitou-se este ano ao vexame de ir a um palco pisado por duas figuras grosseiras e mal educadas e que deveriam ser casos de tribunal, como são os srs. Alberto Jardim e Jaime Ramos, falar no meio das ponchas, do álcool e do insulto, onde “mentiroso” e “aldrabão” foram dos mimos menores chamados ao primeiro-ministro de um país que assiste sem reacção a estas cenas circenses de populismo barato, que, repito, deveriam ser caso de tribunal. Um partido que já foi de Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Sérvulo Correia, Barbosa de Melo e outros, merecia maior respeito da parte desta gente sem princípios e outro exemplo do seu actual líder. Que é o maior partido da oposição, tendo por isso maiores responsabilidades perante o país.
E são estes maus exemplos que vão afastando as pessoas da política e conduzem a actos de abstenção preocupantes como aconteceu agora em Lisboa. E em que o PS tem naturalmente também responsabilidades.
Manuel Alegre veio publicamente e mais uma vez, como referiu José Sócrates, falar do medo. Mas eu acho que o camarada Manuel Alegre tem medo é de perder o seu protagonismo pessoal e político. E que por isso mesmo não aceitou que o dr. Mário Soares, que apadrinhou a sua entrada no PS, e o partido, não o indicassem para candidato à Presidência da República. Onde conseguiu um bom resultado como independente, mas que agora já não se repetiria, apesar dos seus apelos à cidadania e aos valores da República. Porque as pessoas não dormem e para além de falar e escrever bem, é preciso agir e dar o exemplo. E um dos maus exemplos, por seguidismo, veio da arquitecta Roseta, que quis copiar Alegre. Fez no PS o que já tinha feito no PSD. Depois de ganhar algum protagonismo nos dois partidos, e por não se ter imposto em nenhum deles, desfiliou-se por puro oportunismo, e aí está mais uma independente. Sem que houvesse qualquer vaga de fundo dos lisboetas para que a senhora aparecesse. Apareceu ela na Baixa com umas banquinhas e um megafone, mais a imagem ganha nos partidos e na Assembleia, e lá vieram as assinaturas. E tal como o eng. Carmona Rodrigues, conseguiu ficar à frente do decrépito PC, apesar da sua reconhecida organização e militância. Facto que não mereceu qualquer comentário do sr. Jerónimo, tão atento a outras “derivas”.
Li atentamente o artigo de Manuel Alegre. Algumas críticas deveria fazê-las dentro do partido. Outras, que não as promoções e preocupações pessoais, não as faz, porque como a maioria dos políticos vive longe do país. Como por exemplo as pessoas que moram perto da fronteira com Espanha, irem lá comprar muito mais barato, os combustíveis, produtos alimentares, de limpeza, de construção, etc, etc. Como é possível que um país mais rico que o nosso, pague melhores salários e venda produtos mais baratos? Muitos se continuam a abotoar com mais valias indevidas e imorais, agravando os nossos desníveis sociais, forjando-se fortunas fraudulentas e originando o aumento da pobreza. E já vamos estando fartos das explicações dos nossos economistas, todos eles com vários salários e reformas obscenas, como aliás muitos dos políticos. Contra isto, não vemos Alegre falar, ficando-se pelos valores da cidadania, que é um paleio bonito, mas já não colhe. E quanto aos valores da liberdade, eu também os aprendi na militância política, antes e depois do 25 de Abril. E não esqueço a luta fundamental pela liberdade, naquela que foi a maior demonstração popular do PS, no comício da Alameda, em 1975. Eu estive na rua, em Coimbra, a defender os autocarros dos militantes que iam para Lisboa e que Cunhal, qual tiranete, classificou de marcha reaccionária, ordenando aos militantes comunistas de todo o país para impedirem a sua marcha para Lisboa, com todo o esquerdismo da época a colaborar. Eu li o “18 do Brumário” e percebi nesse dia o que é o “Lumpen” das ruas, em atitude fascizante, disfarçados de militantes da tal esquerda.
Quem nesse dia lutou pela liberdade, que o PS venceu, pela coragem física de Mário Soares e Salgado Zenha, e de milhares de militantes anónimos, percebe hoje o porquê de Salazar e Cunhal terem ganho o absurdo concurso televisivo da Maria Elisa.
Porque de facto, como diz Alegre, a matriz ideológica do PS vem de António Sérgio e Antero de Quental. Mas tivemos depois militantes como Henrique de Barros e Vasco da Gama Fernandes, ambos Presidentes da Assembleia da República, que prestigiaram o partido, a par do saudoso e amigo Fernando Valle. E temos agora o primeiro-ministro José Sócrates, que conseguiu a primeira maioria para o partido e apesar dos ataques pessoais menos dignos, tem tido a coragem de reformar e inovar, nas áreas essenciais, para que o país possa inverter o ciclo negativo em que vive há anos.
E se temos ministros, que vão ganhando o país, como é o caso de Teixeira dos Santos nas finanças e da ministra da educação, na sua luta contra a mediocridade em que outros transformaram as nossas escolas, não podemos deixar de discordar com aqueles que integrando governos do PS, limitam a liberdade de expressão ao interior das casas ou a esquinas de café. Para além da melhor ou pior preparação técnica, é também fundamental a preparação política e um governo socialista não se pode identificar com princípios que não são os seus.
E no campo da saúde, para além de contestações que são perfeitamente compreensíveis, todos já hoje perceberam da necessidade e da justeza das medidas tomadas em relação às maternidades e às urgências. Servir melhor as populações não significa ter uma grande superfície e um hospital em cada rua. Também de aplaudir a criação de novas camas para os idosos, como em Faro, aproveitando as instalações de hospitais devolutos, para os chamados cuidados paliativos. Uma chamada de atenção para o equipamento informático dos hospitais, onde a existência de programas já instalados e com provas dadas, tende a ser substituído por equipamentos muito mais dispendiosos e sem acréscimos de qualidade, que venham beneficiar o trabalho médico junto dos doentes. A preocupação com o desperdício também aqui deve estar presente, quando afinal falta o dinheiro para tantas coisas.
E como amigo e companheiro de tantas lutas, com o camarada António Arnaut, um homem generoso e solidário, deixem-me terminar dizendo que em nome da fraternidade social que caracteriza o Partido Socialista, devemos continuar a trabalhar todos, os que ocupam cargos políticos e os que trabalham perto dos doentes, no sentido do Serviço Nacional de Saúde que nos orgulhamos de criar, continue tendencialmente gratuito, através de taxas moderadoras socialmente justas, e que são naturalmente necessárias.

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