A lei do mais forte

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Não é preciso ser-se muito velho para ter na memória a imagem das Portas de Mértola numa véspera de Natal. Lojas atafulhadas de clientes, pessoas nas ruas de sacos na mão, uma vivência ímpar. Mas com o passar dos anos, tudo mudou no centro histórico-comercial da cidade de Beja. A crise surgiu, imparável e por todos os cantos, e até algumas das casas mais históricas se viram obrigadas a fechar as suas portas. Hoje, caminhar pelas Portas de Mértola serve para constatarmos que a alegria de estar atrás do balcão deu lugar ao cepticismo e ao pessimismo. E é num estado de depressão colectiva que o comércio tradicional de Beja luta pela sua sobrevivência.
Segundo Charles Darwin e a sua “teoria da evolução”, em que impera a lei do mais forte, todos temos de nos adaptar aos desafios com que nos deparamos. Só os mais audazes e os mais capazes resistem. Aos outros, resta definhar e adiar o mais possível o fim anunciado.
Por isso mesmo, mais do que ficar a um canto a apontar o dedo aos possíveis responsáveis pelo actual estado do comércio tradicional de Beja (a crise económica do país, a proliferação de grandes superfícies), é preciso que os comerciantes se unam e encontrem saídas para o seu futuro colectivo.
A criação de um centro comercial de rua nas Portas de Mértola (ainda que tardia para muitos) é algo que pode contribuir para o “renascimento” do comércio tradicional. Mas não bastará. Será preciso muito mais. Como, por exemplo, a aposta dos comerciantes na imagem das suas lojas e na diversidade dos seus produtos, optando pela qualidade em detrimento da quantidade; a criação de mais esplanadas e espaços de lazer, conciliando isso com a promoção regular de actividades (concertos, exposições, feiras) naquela zona; ou a captação de duas a três “lojas-charneira” para as Portas de Mértola, lojas que os consumidores procuram nem que estejam escondidas numa cave.
Estas são as possíveis saídas para a grave crise do comércio tradicional em Beja. Descurá-las ou nem sequer procurar outras opções será assinar a sentença de morte que muitos anunciam. Tudo depende, sobretudo, de quem, dia-a-dia, faz pela vida nas Portas de Mértola.

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