A economia do mar

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hélder Guerreiro

Por ocasião do inicio de funcionamento de mais uma ferramenta financeira de apoio aos actores locais (empresas, associações e entidades publicas) nas áreas ligadas ao Mar, designadamente o Eixo 3 do PROMAR, importa informar que a ADL (Associação de Desenvolvimento do Litoral Alentejano) é a entidade gestora e quem melhor pode informar todos os interessados neste programa, apesar de a Câmara Municipal de Odemira e a própria TAIPA, Crl funcionarem como pontos de informação sobre o programa.
Em linhas gerais o Eixo 3 do PROMAR funciona numa lógica de proximidade (gerido e decidido localmente) e compreende o apoio a actividades complementares à actividade piscatória, fundamentalmente pequenas iniciativas que venham acrescentar valor e diversificar a actividade económica das famílias ligadas ao Mar. As verbas envolvidas não são muitas mas, mais importante do que o volume de verbas, será a qualidade dos projectos originados de forma a que cada euro investido seja mais uma oportunidade de criar riqueza e emprego no nosso território.
Esta ocasião permite relembrar a importância do Mar na nossa região. Dos portinhos onde a duríssima actividade da pesca comercial é a base começam a emergir actividades complementares como a pesca desportiva/turística e o mergulho lúdico/turístico. As praias, sejam de pequenos areais a sul ou extensos areais a norte, já se constituem há muito como um dos principais factores de atractividade do território, no entanto, a gastronomia associada ao marisco e ao peixe de elevadíssima qualidade contribuem claramente para a qualificação do destino turístico. O emergente turismo rural, a sul, e os novos resorts, a norte, polvilham o território de uma nova realidade.
Tudo isto a partir do Mar e ainda falta falar na porta aberta ao mundo preconizada pelo porto de Sines, no potencial, em termos de energias limpas, da nossa costa e na qualidade do património que lhe está associada (paisagística, arqueológica, etc.).
É um mundo novo de oportunidades que por incrível que pareça está por cumprir e, no mínimo, tratar bem tendo em conta que o Alentejo, enquanto imagem, pouco ou nada se tem associado ao Mar, não será certamente por falta da linha costeira que vai desde Tróia a Odeceixe. Talvez seja porque outros valores se levantaram (o vinho, o queijo, o azeite, o trigo) como símbolos da região. Este comportamento de virar costas ao Mar parece ser, nas últimas décadas, uma estranha postura nacional apenas quebrada, muito recentemente, por insistência do actual Presidente da República.
O mimetismo regional face à postura nacional radica nesta descontinuidade histórica de povo do Mar que, repentinamente, assumiu querer ser continental mas, radica também, no equívoco de não se assumir claramente que os cinco concelhos do litoral são parte do Alentejo, logo, o Mar (os seus produtos e oportunidades) é mais uma clara evidência de que o Baixo Alentejo faz sentido desde que assuma esse factor como diferenciador. Talvez, colocar o Mar no centro do Baixo Alentejo, seja um desafio tão interessante como urgente.

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