Beja recebeu manifestação cultural contra a "troika"

Beja recebeu manifestação cultural contra a "troika"

A canção "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, marcou o "pontapé de saída" da manifestação cultural contra as medidas de austeridade em Beja, que decorreu este sábado, 13.
A manifestação, integrada no apelo "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!", feito através das redes sociais, começou às 15h45, hora em que na Praça da República começou a ouvir-se a canção de Zeca Afonso que o Movimento das Forças Armadas (MFA) escolheu para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974.
Com o lema "A cultura junta-se à resistência", a manifestação decorreu até à noite, com um cartaz que incluiu 35 actuações de artistas da região de Beja.
Concertos, performances de teatro, sessões de poesia e de contos e pintura ao vivo são formas de arte que marcaram o cartaz da manifestação cultural e "materializam o espírito de insubmissão que se sente em todo o país", segundo a organização.
As bandas Virgem Suta, Balão Dirigível, Adiafa e Cantigas do Baú, o músico Paulo Ribeiro e as companhias de teatro BAAL 17, Lendias D’Encantar e Arte Pública foram alguns dos nomes responsáveis pelas 35 actuações do cartaz em Beja.
"Mais do que músico, estou aqui como cidadão preocupado com a situação do país", disse mesmo à Agência Lusa o músico Paulo Ribeiro, de 41 anos, referindo que "qualquer manifestação artística também é uma forma de intervir socialmente e de mostrar indignação e revolta perante o actual estado de coisas" e, por isso, "ninguém, nem os artistas, pode ficar impávido e sereno".
"As dificuldades que o país e a população atravessam são de tal maneira graves que todos devemos contribuir para tentar alterar a situação", acrescentou o actor António Revez, da Companhia Lendias D’Encantar, que leu poemas como "As Facas", de Manuel Alegre, "um poema que fala de amor e de sangue".
Actualmente, "o momento é de amor e de sangue. Amor por Portugal e pela população, que trabalha para que o país se desenvolva. E, se for necessário, temos que colocar o nosso sangue ao serviço do futuro da população", defendeu o actor.
"É com muita tristeza que chego aos 40 anos e vejo que o meu país chegou a este estado e que tenho uma filha com 14 anos e não consigo encontrar uma réstia de esperança para o futuro dela", disse ainda António Revez.
Carla Maurício, de 38 anos, que assistia aos espectáculos, considerou que todos deveriam aderir a este tipo de manifestações, “porque o país é de todos e está a saque”, e contou que a crise está a afectar a sua família: "Estou desempregada. Só o meu marido, de 35 anos, é que trabalha e temos um filho, de 10 anos".

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Correio Alentejo

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