Autarcas contra fecho de serviços de Finanças

Autarcas contra fecho

Autarcas do PS e da CDU no distrito de Beja acusam o Governo de estar a "abandonar" e "matar" o interior, repudiando o eventual fecho de serviços de Finanças na região.
"O interior está completamente ao abandono", porque "cada vez mais há um Estado a convidar os habitantes a não pensarem na sua vida no interior do país", diz à Agência Lusa o presidente da Câmara de Aljustrel, o socialista Nelson Brito.
Por sua vez, para o presidente da Câmara de Castro Verde, Francisco Duarte (CDU), o "sistemático" fecho de serviços públicos "corresponde a uma vontade clara de matar o interior do país e não de redução das despesas e de equilíbrio das finanças públicas".
Os dois autarcas reagiam ao mapa publicado na segunda-feira, 7, pelo jornal "Diário de Notícias" sobre a eventual reorganização dos serviços de Finanças, com base em cruzamento de dados, nomeadamente de um estudo do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos.
Segundo o estudo, poderão fechar metade das actuais repartições de Finanças, ou seja, 154 serviços, sobretudo no interior do país.
No caso do distrito de Beja, segundo o estudo, poderão fechar entre 10 a 12 dos actuais 14 serviços de Finanças, adianta à Lusa o presidente da distrital de Beja do sindicato, Rui Teixeira.
Na "pior das hipóteses", irão fechar 12 serviços e ficar abertos só os de Beja e Odemira, e, na "melhor das hipóteses", fecharão 10 e ficarão abertos aqueles dois e os de Moura e Castro Verde, precisa, frisando trata-se de um previsão do sindicato e não de informação oficial do Governo.
Os autarcas de Castro Verde e Aljustrel repudiam o fecho dos serviços de Finanças nos concelhos e consideram "inaceitável" que os habitantes tenham de se deslocar a outros concelhos para tratarem de assuntos fiscais.
Segundo os autarcas, os concelhos de Castro Verde e de Aljustrel, sobretudo devido à indústria mineira, têm repercussões "muito fortes" em termos fiscais e, por isso, "não há justificação" para o encerramento dos respectivos serviços de Finanças.
"Extinção atrás de extinção de serviços públicos não é uma política correta e contraria a coragem das pessoas que querem viver no interior", frisa Nelson Brito, defendendo que as pessoas que irão ficar sem um serviço local de finanças deveriam "gozar de alguma discriminação positiva em termos de pagamento de impostos".
O fecho de serviços de Finanças vai prejudicar "ainda mais quem vive no interior do país" e "não venham dizer que a Internet resolve tudo, porque não é verdade, sobretudo em regiões do interior, como o Alentejo, onde há muitos extractos da população sem acesso à Internet e que não está familiarizada com as novas tecnologias", acrescenta Francisco Duarte.

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Correio Alentejo

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