Autarca de Barrancos diz ser “de extrema importância” barranquenho poder ser língua

O projecto de lei para “proteção e valorização” do barranquenho “é de extrema importância” para a defesa deste falar típico do concelho raiano de Barrancos, considera o presidente da Câmara Municipal.

Contactado pelo “CA”, o presidente do Município de Barrancos, João Serranito Nunes, reconhece que a iniciativa do grupo parlamentar do PS “é de extrema importância”, pois, em caso de aprovação, servirá de “suporte legislativo” a “um projeto estruturante na defesa da língua e da cultura barranquenha”.

O projecto de lei do PS foi entregue a 26 de Fevereiro e será levado à próxima conferência de líderes, “para agendamento da discussão” no parlamento, conforme revelou Pedro do Carmo, deputado eleito por Beja e o primeiro dos 22 subscritores do documento.

A iniciativa legislativa permitirá o reconhecimento do barranquenho como língua oficial, prevendo o direito à sua “aprendizagem” nas escolas e a possibilidade das instituições públicas localizadas ou sediadas no concelho de Barrancos emitirem os seus documentos em formato bilingue (português e barranquenho).

O projecto de lei reconhece ainda “o direito a apoio científico e educativo, tendo em vista a investigação” e “a formação de professores de barranquenho”.

Na opinião do autarca, eleito pelo PS, esta iniciativa surge numa altura em que a “globalização” e o decréscimo de população são “ameaças reais” ao barranquenho, utilizado sobretudo pelas “gerações mais velhas” e “pelos mais novos antes de irem para a escola”.

“Os mais novos são dos melhores falantes de barranquenho, pelos contactos que vão mantendo com os avós”, garante Serranito Nunes.

Esta realidade levou a Câmara de Barrancos a desenvolver, em colaboração com a Universidade de Évora, o Programa de Preservação e Valorização do Património Linguístico e Cultural de Barrancos.

A iniciativa, que “arrancou no final de 2019”, visa “o reconhecimento do barranquenho como língua co-oficial minoritária” e representa um investimento de 61.000 euros, “assumidos na totalidade pela autarquia”.

Segundo o presidente do Município, o projecto assenta “em medidas de curto, médio e longo prazo”, nomeadamente a “documentação da língua e recuperação da memória histórica da comunidade, contribuindo para as fontes da literatura oral e tradicional de Barrancos e da Península Ibérica”.

A elaboração de um portal online, “onde vão ficar alojadas todas as informações existentes sobre a língua e cultura barranquenha”, e a elaboração de “uma convenção ortográfica, uma gramática e um dicionário trilingue” são outros dos objectivos do programa.

Está ainda prevista a implementação da aprendizagem do barranquenho nas escolas do concelho.

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Correio Alentejo

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