Artista colombiano expõe na Fundação Eugénio de Almeida

Artista colombiano expõe

“Projecto para um Memorial” é o título da nova exposição patente no Fórum Eugénio de Almeida, em Évora, até 29 de Junho, que dá a conhecer duas obras destacadas do artista colombiano Oscar Muñoz.
A iniciativa, promovida pela Fundação Eugénio de Almeida (FEA), tem como peça central a instalação que dá o nome à mostra individual, “Projecto para um Memorial”, de 2005.
A entidade promotora explica tratar-se de uma obra, uma vídeo-instalação, que “aborda os processos de lembrança e esquecimento, tanto em contextos históricos como individuais”.
O trabalho “regista o processo de construção de retratos de pessoas concretas, criados a partir de fotos encontradas em obituários, personificações da violência das grandes cidades, mediante a pintura com água sobre uma pedra ao sol”, revela a FEA.
“Antes mesmo de terminado o retrato, os traços de água começam a desaparecer pelo efeito do calor e, simultaneamente, as outras mãos nos outros vídeos continuam a pintar outros retratos”, acrescenta.
A criação artística de Muñoz, “num mundo de desaparecimentos constantes e da imagem como força de preservação”, continua a FEA, “revela-se como uma espécie de activismo pelo quotidiano e suas políticas esféricas”.
A realidade e ficção, assim como a presença e ausência, são igualmente objecto de análise por parte do artista colombiano na outra obra exposta em Évora, intitulada “O olhar do Ciclope” (2002).
Trata-se de uma série fotográfica que “problematiza as questões do retrato e da técnica de visualização”, abordando “o dualismo entre imagens mentais (lembranças) e físicas (imagens materializadas)”.
“Muñoz chama a atenção para a analogia entre imagem e corpo presente na máscara-retrato. Como num processo de luto, a máscara vazia gera uma ilusão de volume e, desta forma, uma proximidade com a ‘realidade’ do corpo que representa e da sua permanência como imagem”, explica a fundação.
Oscar Muñoz, nascido em 1951, é um nome de “grande prestígio” no contexto da arte contemporânea internacional, segundo a entidade organizadora da exposição, que tem como curadora Claudia Giannetti.
O artista formou-se, em 1971, na Escola de Belas Artes de Cali (Colômbia), onde continua a viver e trabalhar.
Ao longo de mais de 20 anos, Muñoz tem produzido trabalhos que investigam a natureza da representação por meio de técnicas de impressão fotográfica e mecânicas pouco ortodoxas, bem como através de obras que recorrem ao suporte vídeo.
“Muitas vezes, essas imagens são criadas usando materiais inusitados e instáveis como a respiração humana, água, luz, cera e pó”, para “chamar a atenção para a precariedade da vida humana, o narcisismo e altruísmo”, refere a FEA.

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Correio Alentejo

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