12h16 - quinta, 02/05/2019

AGOSTINHO DA SILVA: O Português Sem Mestre


Napoleão Mira
Nunca é por demais relembrar George Agostinho Batista da Silva, mais conhecido por Professor Agostinho da Silva, esse português singular, escultor de utopias e adepto incondicional da vida livre e gratuita que não gostando de ser mestre nem discípulo, viveu despojado de bens materiais toda a sua vida, defendendo em escritos e ensaios o destino universal dessa grande comunidade que é a língua portuguesa, sendo mesmo um dos grandes incentivadores da criação dessa irmandade que hoje conhecemos pela sigla de CPLP. Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa.
Apesar de ter nascido no Porto escolheu Barca Dalva como sua terra mãe e seu porto de abrigo, conforme nos diz em forma quadra simples e desconcertante: "Me fiz gente se é que sou/ Em Barca Dalva do Douro/ Para cima tudo Celta/ Para baixo tudo mouro o pior é que Alentejo e Algarve tendo nas veias/ Como vou libertar-me de tão apertadas teias."
Agostinho da Silva cultivava apaixonadamente a liberdade, paixão essa, que lhe custou a exoneração ao recusar-se a assinar uma lei Salazarista conhecida como lei Cabral. Um documento onde tinha que jurar não pertencer a nenhuma sociedade secreta. Para além de Agostinho da Silva, só Fernando Pessoa e Norton de Matos disseram não a tão vil obrigação.
Colaborou activamente em diversas publicações, com especial destaque para a revista "Seara Nova" onde publicou textos sobre o desenvolvimento cultural e educacional do país que desagradaram aos poderosos senhores do Estado Novo.
Para além de se incompatibilizar com o Estado Novo, também arranjou na Igreja católica outro inimigo de eleição ao publicar "O Cristianismo" em 1943 e "Doutrina Cristã" em 1944 em que assume posições como as que passo a citar " Deus não exige de nós nenhum culto… Todos podemos ser sacerdotes, porque todos temos capacidades de inteligência e amor… Estão ainda longe de Deus, de uma visão ampla de Deus os que fazem consistir o seu culto em palavras e ritos."
Farto de Portugal parte primeiro para Espanha e posteriormente para ao Brasil onde funda Universidades e centros de estudo Africanos e de língua portuguesa em Paraíba, Santa Catarina, Brasília e Baia e onde hoje se lecciona uma cátedra que tem o seu nome.
Em 1969 com a chegada da ditadura ao Brasil, Agostinho regressa a Portugal, onde passa pela direcção do centro de estudos latino-americanos da Universidade Técnica de Lisboa, sendo ainda consultor do Instituto Cultura e Língua Portuguesa, desenvolvendo também contactos intensos com a Galiza e Catalunha.
Nos últimos anos da sua vida torna-se inadvertidamente numa estrela televisiva, ao participar no saudoso programa "Conversas Vadias".
Este velhinho de barbas brancas com olhos de criança e ar de avô de todos nós, pregava milhões de portugueses ao ecrã do televisor, que bebiam avidamente do seu saber excepcional.
"Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida, sou do paradoxo que a contém no total."
Que melhor definição poderia dar de si mesmo?



Outros artigos de Napoleão Mira

COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
07h00 - terça, 26/05/2020
InCastro apoia
empresas de Castro
A Câmara de Castro Verde tem vindo a desenvolver um plano de apoio à concretização dos incentivos disponibilizados pelo Governo português às empresas no âmbito da Covid-19, através dos serviços do InCastro.
07h00 - terça, 26/05/2020
Alentejo 2020 tem a maior
taxa de compromisso nacional
O Alentejo 2020 fechou o ano de 2019 com uma taxa de execução financeira na ordem dos 27%, a maior entre todos os programas operacionais regionais de Portugal.
07h00 - terça, 26/05/2020
Freguesia de S. Luís
com falta de médicos
A Junta de Freguesia de São Luís, no concelho de Odemira, está indignada pela falta de profissionais de saúde na Extensão de Saúde local, sendo que de momento a freguesia não conta com médico, enfermeiros ou sequer serviços administrativos.
07h00 - segunda, 25/05/2020
Aljustrel retoma
mercados mensais
A Câmara de Aljustrel decidiu retomar a realização de mercados mensais no Parque de Feiras e Exposições da "vila mineira", ainda que mediante o cumprimento de novas regras devido à pandemia de Covid-19.
07h00 - segunda, 25/05/2020
Câmara de Almodôvar aprova
apoios às empresas do concelho
A Câmara de Almodôvar aprovou na passada semana, em reunião do executivo, um lote de candidaturas, no valor aproximado de 29591 euros, no âmbito do Programa de Apoio ao Tecido Empresarial (PATECA).

Data: 15/05/2020
Edição n.º:

Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial