12h41 - quinta, 04/04/2019

O Codex 632


Napoleão Mira
Apraz-me esta ideia (ainda que hipotética­­) de ter como conterrâneo o segundo nome mais popular de sempre a seguir a Jesus Cristo: Cristóvão Colombo.
Isto a propósito do best seller que li há uns anos, de seu nome O Codex 632, cuja autoria pertence a José Rodrigues dos Santos, escritor, e conhecido jornalista da RTP, que já havia experimentado, e com sucesso, o romance baseado em factos históricos sobre a campanha dos portugueses por terras de França aquando da primeira Guerra Mundial e em especial na batalha de La Lys e que tem por nome A Filha do Capitão, entre outros títulos editados.
Este Codex 632 é, também ele, um romance baseado numa pesquisa de mais de 20 anos do historiador português Augusto Mascarenhas Barreto, que editou em 1988 o livro Cristóvão Colombo – um espião português ao serviço d'el Rei D. João II, onde entre outras coisas, põe em causa a origem genovesa de Cristóvão Colombo.
Baseado na sua longa pesquisa, Mascarenhas Barreto, levanta dúvidas e questões que empurram a naturalidade de Cristóvão Colombo para Portugal e mais propriamente para o Alentejo.
José Rodrigues dos Santos burila esta pesquisa em forma de romance, onde um tal Tomás Noronha, professor de História da Universidade Nova de Lisboa e perito em criptanálise e línguas antigas, foi contratado para descodificar uma estranha cifra. Mas o mistério que ela encerrava revelou estar para além da sua imaginação, lançando-o inesperadamente na pista do mais bem guardado segredo dos Descobrimentos: a verdadeira identidade e missão de Cristóvão Colombo, catapultando o leitor para uma leitura quase obsessiva.
Quando o autor desvenda o resultado do raio X efectuado ao agora famoso "codex 632" descobre-se que afinal Cristóvão Colombo terá nascido em Cuba no Alentejo.
Tendo Colombo sido o descobridor da ilha de Fidel Castro, e de tantas outras com nomes de terras alentejanas, ficamos com a sensação que esta e outras coincidências com que o autor nos brinda nos deixam a matutar sobre tão pressuposto grosseiro erro histórico.
É claro que o autor só pretendeu escrever um belo romance, mas ao mesmo tempo reacende a eterna discussão acerca da origem de tão famosa figura histórica, trazendo para a ribalta os estudos e pesquisas a que Mascarenhas Barreto dedicou parte da sua vida.
Quanto a mim delicia-me render-me a estes argumentos – Colombo – Colom, Colonna ou mesmo Salvador Fernandes Zarco, que, afinal parece ser o seu verdadeiro nome, seria alentejano. Assim sendo, agrada-me de sobremaneira ser compatriota de tão eloquente figura.



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