11h04 - quinta, 11/05/2017

A fé e o medo


Napoleão Mira
Hoje chega a Portugal um homem que admiro profundamente. Falo de Jorge Bergoglio, o revolucionário Papa Francisco.
Ora isto vindo da boca de um agnóstico tresanda a incongruência.
Sim! Assumo-me agnóstico e incongruente!
Assumidas fraquezas e franquezas, não posso deixar de dizer que Francisco foi a melhor coisa que aconteceu à Igreja Católica nos últimos tempos.
Infelizmente, não fui contemplado com o dom da fé religiosa!
Tenho profunda admiração por aqueles que se deslocam a pé dos vários pontos do país até ao santuário de Fátima, para aí, serem atendidos nas suas preces, especialmente em ano do centenário das aparições e, ainda por cima, com a presença do representante de Deus na terra.
A malfadada da minha noção de lógica não me permite acreditar no que creem esses milhares de peregrinos que, vencendo dores, bolhas, quilómetros e cansaços aportam a Fátima com um sorriso de júbilo digno da minha saudável inveja.
Bem sei que me responderão que isto nada tem a ver com lógica. Que é simples. Que, ou se crê, ou não se crê. Pois bem: Eu, por mais que tente... não consigo acreditar!
Isto remete-me para um episódio de banda desenhada que li há muitos anos num dos célebres álbuns da coleção Astérix e Obélix , no caso presente: Asterix e os Normandos.
Contava a história que esses bárbaros Normandos, desconhecedores do medo, teriam descido até à Gália para desvendarem o segredo de voar. Acreditavam que para ver o mundo como os pássaros o vêem era preciso recear e quanto mais pavor, melhor se podia voar.
Ao depararem-se um imprudente aldeão, este quase se borrava de medo ao confrontar-se com tais grosseiras figuras.
O pavor estava-lhe marcado no rosto. O corpo não lhe obedecia às ordens para fugir. Não conseguia articular palavra. O suor corria-lhe em bica pela fronte. Enfim, na ótica dos invasores, estavam na presença do: Campeão do Medo.
Com este invulgar espécime entre mãos cedo cantaram vitória. Estavam convencidos que se lhe conseguissem extrair a fórmula do medo, conseguiriam ganhar asas.
Como os gauleses só tinham medo de uma coisa: que o céu lhes caísse em cima da cabeça, foram os brutamontes, como era de prever, mal sucedidos.
Ao aproximarem-se, Asterix e Obelix infligiram-lhes tal bordoada que os bárbaros do norte experimentaram pela primeira vez o mesmo sentimento de pavor que tinham imposto ao pobre aldeão.
Derrotados, mas convencidos que já sabiam voar, não lhes restou alternativa senão experimentarem fazê-lo do alto do precipício onde decorria a contenda com o resultado previsível que se pode imaginar.
Não sei porquê, ou se calhar sei, encontrei nesta estória um certo paralelismo com aquela com que comecei esta crónica.



Outros artigos de Napoleão Mira

COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
00h00 - sábado, 24/06/2017
Ciclistas de Almodôvar
em provas nacionais
Os jovens da equipa de ciclismo do Sport Ciclismo Almodôvar (SCAV) participam nas próximas semanas em três provas bastante importantes no calendário nacional velocipédico.
00h00 - sábado, 24/06/2017
CM Odemira promove
"Dia do Pescador"
A pequena aldeia piscatória da Azenha do Mar, no concelho de Odemira, recebe este sábado, 24 de Junho, a 15ª edição das comemorações do "Dia do Pescador".
00h00 - sábado, 24/06/2017
Junta de Moura disponibiliza
óculos graduados gratuitos
Os habitantes da União de Freguesias de Moura e Santo Amador contam desde esta semana com um serviço gratuito de optometria e a oferta de óculos graduados.
18h59 - sexta, 23/06/2017
Castro, Reserva da Biosfera:
Parlamento aprova voto
de congratulação do PCP
A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira, 23, por unanimidade, o voto de congratulação apresentado pelo PCP pela classificação, por parte da Unesco, do concelho de Castro Verde como Reserva da Biosfera.
11h00 - sexta, 23/06/2017
Rastreio da voz
artística em Beja
O Centro de Saúde de Beja 1 recebe esta sexta-feira e sábado, 23 e 24, o Rastreio Nacional da Voz Artística, dirigido sobretudo a artistas mas aberto a toda a população da cidade mediante inscrição.

Data: 23/06/2017
Edição n.º:
Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial