10h07 - domingo, 16/08/2020

Festa?


José F. Encarnação
Quando vi a noticia à uns meses, pensei que seria apenas conversa, daquela que sempre surge quando se quer arranjar casos e polémicas pois em política um dia sem conversa é um dia perdido. Apesar de, fruto dos anos neste meio, estranhar um pouco o silêncio ensurdecedor do partido que organiza a dita, tão célere a criticar e a opinar sobre todos os assuntos, mantendo-se como se costuma dizer, quieto e calado num assunto que lhe dizia diretamente respeito. Mas, apesar de tudo sempre pensei, inclusive o manifestei, que o bom senso iria imperar que as noticias que davam como certa a sua realização mais não seriam que insinuações de mentes tenebrosas. A situação que todos atravessamos, as medidas impostas pelo nosso governo, o esforço que todos temos feito para ultrapassar esta maldita pandemia, inclusive a proveta idade da maioria dos dirigentes do partido organizador, tudo me indicava que este ano, à semelhança da totalidade das festas populares do nosso país, dos festivais de música, os jogos de futebol à porta fechada, etc., etc., a Festa do Avante também não se realizaria. Pensava eu! Nada mais errado!
A Festa do meu Bairro, que numa noite boa consegue juntar a extraordinária multidão de 250 pessoas não se pôde realizar. Ok, perfeitamente compreensível já que as regras de desconfinamento nos dizem que não são admitidos grupos com mais de 20 pessoas. Os jogos de futebol, com exceção de 2 ou 3 clubes pouca mais assistência conseguem juntar que as festas do meu Bairro realizaram-se sem público. Mais uma vez as regras a funcionar e toda a gente a respeitar. Logicamente os festivais de musica que sempre chamam a malta nova faz todo o sentido não se realizarem! Agora dizem-me que a Festa do Avante, que costuma ser visitada por cerca de 100 000 pessoas se vai realizar! Como é possível? Onde estão as regras da DGS? Onde está principalmente o bom senso das pessoas que nos governam? Claro que só vai quem quer! A minha única esperança está mesmo e só no bom senso de todos os portugueses.
O que não se faz, ou melhor, o que se permite fazer em política, de forma a conseguir acordos e consensos. As cedências que se fazem para se conseguir aprovar orçamentos. O que se sacrifica para se continuar a governar. Infelizmente é o meu partido que permite esta aberração. Apesar de compreender qual o objetivo final, é-me de todo incompreensível que se possa sujeitar a colocar a saúde de todos nós em risco, depois de ser enaltecido por todos pelas medidas tomadas na tentativa de evitar que o vírus causasse o caos que infelizmente assistimos noutros países. Esperemos todos, que estas cedências agora concedidas em nome de um "bem maior (orçamento)", não nos tragam aquilo que todos nós, à custa de muitos sacrifícios, temos conseguido evitar.



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Data: 20/11/2020
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